Se você cresceu assistindo à televisão nas tardes dos anos 90, com certeza se lembra daquela clássica cena em que um cara durão, vestindo colete de couro e chapéu com dentes de réptil, puxa uma faca do tamanho de um braço e diz com toda a calma do mundo: "Isso não é uma faca... isso é uma faca!".
Estou falando de Crocodile Dundee (ou Crocodilo Dundee, como ficou conhecido por aqui). Esse clássico absoluto de 1986 moldou o conceito de carisma nas telas para toda uma geração. Recentemente, parei para rever esse clássico e me peguei pensando no motivo de ele ainda funcionar tão bem depois de quatro décadas. O filme é uma mistura perfeita de aventura, comédia leve e uma aula de como criar um personagem marcante sem precisar de efeitos especiais mirabolantes.
O que faz de Crocodilo Dundee um
clássico tão marcante?
Para entender o sucesso de Crocodile Dundee (título original), a gente precisa voltar para a metade da década de 80. O filme estreou nos cinemas em 1986 e se tornou um fenômeno mundial de bilheteria. Dirigido pelo australiano Peter Faiman, o longa traz atualmente uma nota 6.6 no IMDb, o que reflete muito bem sua recepção: uma comédia extremamente divertida, honesta e sem frescuras.
A premissa é simples, mas certeira. A jornalista americana Sue Charlton, interpretada por Linda Kozlowski, viaja até o interior brabo da Austrália para reportar a história de Michael J. "Mick" Dundee, vivido pelo lendário Paul Hogan. Mick é um caçador do Outback australiano que supostamente sobreviveu a um ataque brutal de crocodilo. O elenco principal se fecha com John Meillon, no papel de Wally, o sócio e empresário atrapalhado de Mick.
O filme se divide em dois atos bem claros. O primeiro se passa noTerritório do Norte da Austrália, com gravações reais no incrível Parque Nacional Kakadu — uma locação épica que dá um peso visual absurdo e autêntico à produção. A segunda metade muda radicalmente de ar e vai direto para a selva de pedra de Nova York, onde o caçador vira a caça cultural e tenta entender a vida moderna da grande metrópole.
Como a trilha sonora e o choque
cultural constroem o filme?
A trilha sonora composta por Peter Best cumpre um papel fundamental em marcar essa transição. Enquanto estamos na Austrália, os sons remetem à imensidão e ao mistério da natureza selvagem. Quando a história se muda para Nova York, entram os sintetizadores e o ritmo urbano bem característicos da época. Sem contar a inclusão da icônica faixa "Live It Up", da banda australiana Mental As Anything, que embala perfeitamente o astral descontraído do protagonista nas noites da cidade grande.
Mas o verdadeiro motor da narrativa é a dinâmica do "peixe fora d'água". Quando Mick chega aos Estados Unidos, a inversão de papéis é sensacional. Na mata, ele é o predador no topo da cadeia alimentar, mestre na sobrevivência e conhecedor de cada canto da terra. Na cidade, ele se depara com portas automáticas, bicas de bidê, gangues de rua e executivos arrogantes. E o mais legal: ele encara tudo com a mesma serenidade e bom humor com que encara um réptil gigante.
Quais premiações e curiosidades
marcaram a produção?
O impacto cultural foi tanto que o filme não ficou só no carinho do público; ele também chamou a atenção da crítica e das grandes premiações. Crocodile Dundee chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, além de render a Paul Hogan o Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia ou Musical. Nada mal para um projeto financiado de forma independente com um orçamento modesto para os padrões de Hollywood.
Entre as curiosidades mais legais dos bastidores, vale destacar:
· Inspirado em fatos: A história do personagem foi parcialmente inspirada na vida de Rod Ansell, um australiano que ficou famoso após sobreviver sete semanas isolado na selva australiana.
· Romance fora das telas: A química entre Paul Hogan e Linda Kozlowski não foi atuação. Os dois engataram um relacionamento durante as filmagens, se casaram anos depois e ficaram juntos por um longo tempo.
· O famoso bumerangue e a faca Bowie: A faca gigante que Mick usa ficou tão famosa que virou item de colecionador e um dos maiores símbolos da cultura pop dos anos 80.
· Fenômeno de bilheteria: O longa se tornou a segunda maior bilheteria mundial de 1986, ficando atrás apenas de Top Gun.
Vale a pena assistir Crocodilo Dundee
nos dias de hoje?
Analisando a obra hoje em dia, minha crítica é extremamente positiva, desde que você entenda o contexto da sua época. O filme não tenta ser um drama profundo ou um suspense psicológico complexo. Ele entrega exatamente o que promete: uma aventura divertida, com um protagonista extremamente carismático e confiante, mas sem um pingo de arrogância.
Mick Dundee representa aquele ideal do cara tranquilo, prático e focado no que realmente importa. Ele resolve problemas com calma, protege as pessoas ao seu redor sem precisar fazer cena e trata todo mundo com o mesmo respeito, seja um garçom de hotel ou um milionário de Nova York. É esse estilo pé no chão que faz a gente gostar dele logo de cara.
Se você procura um filme leve para relaxar no fim de semana, dar boas
risadas e rever um ícone do cinema oitentista, Crocodile Dundee
continua sendo uma pedida certeira. É uma verdadeira viagem no tempo que mostra
como uma boa história, apoiada em um personagem forte e bem construído, não
perde a graça nunca.
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