Se você cresceu nos anos 90 ou costumava passar as tardes de domingo na frente da televisão, provavelmente tem uma memória afetiva gigante com Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (no original, Robin Hood: Prince of Thieves). Eu me lembro perfeitamente da primeira vez em que assisti a essa obra. Era aquele tipo de filme de aventura pura, com espadas, arcos, florestas fechadas e uma energia de companheirismo que prendia qualquer um na cadeira do início ao fim.
Por que Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões se tornou um clássico absoluto dos anos 90?
O grande segredo do
filme foi a capacidade de misturar uma narrativa de aventura pé no chão com
personagens extremamente marcantes. A trama acompanha Robin de Locksley
voltando das Cruzadas após anos de sofrimento e prisão. Ao desembarcar na
Inglaterra, ele descobre que seu pai foi assassinado e que as terras de sua
família foram devastadas pela tirania do Xerife de Nottingham.
A partir daí, a
história engata uma jornada de vingança, honra e sobrevivência. Robin se
embrenha na Floresta de Sherwood, une forças com um grupo de foras da lei e
passa a liderar uma rebelião contra o sistema opressor do condado. É o tipo de
enredo direto, focado na lealdade entre amigos, no combate corporal de raiz e
no heroísmo clássico que faz a gente torcer por cada flechada disparada em
cena.
Quem fez parte do
elenco e da produção deste épico de aventura?
O elenco foi um dos
maiores acertos do projeto, reunindo nomes que estavam no topo de Hollywood
naquele período:
·
Kevin Costner (Robin Hood): Na época, Costner era o maior astro do planeta,
recém-saído do triunfo de Dança com
Lobos. Ele trouxe um carisma natural e uma presença física de herói
clássico, mesmo que sua opção por não usar sotaque britânico tenha gerado
debates.
·
Morgan Freeman (Azeem): Interpretando um guerreiro mouro que viaja com Robin por
uma dívida de honra, Freeman entregou uma das atuações mais sóbrias e
respeitáveis do filme. A química e o respeito mútuo entre ele e Costner
sustentam boa parte do peso emocional da história.
·
Alan Rickman (Xerife de Nottingham): Simplesmente o dono do filme. Rickman criou um vilão
visceral, sarcástico e completamente insano, roubando todas as cenas em que
aparece.
·
Mary Elizabeth Mastrantonio (Lady Marian): Distante da figura de "mocinha indefesa", sua
Marian tem atitude, fibra e força própria.
·
Christian Slater (Will Scarlet): O jovem revoltado do bando que traz o tom de rivalidade
e dinamismo para o grupo de rebeldes.
As locações reais
britânicas deram uma textura incrível para o filme. As filmagens passaram por
lugares históricos como a antiga Muralha de Adriano, as florestas de Burnham Beeches, o castelo de Arundel e a imponente Catedral de Salisbury. Essa escolha por cenários reais,
com lama, chuva e castelos de pedra de verdade, deu um tom tátil e autêntico
que os efeitos digitais de hoje raramente conseguem replicar.
Quais são as melhores
curiosidades e bastidores do filme?
Os bastidores dessa
produção são tão interessantes quanto a própria história na tela:
·
Trilha sonora inesquecível: A música tema "(Everything I Do) I Do It for
You", interpretada por Bryan Adams, explodiu no mundo inteiro. A canção
liderou as paradas por semanas consecutivas e a trilha instrumental composta
por Michael Kamen tornou-se referência em temas de ação.
·
Premiações e destaques: O filme recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Canção
Original e rendeu a Alan
Rickman o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no BAFTA. Por outro
lado, Kevin Costner acabou "faturando" um prêmio Framboesa de Ouro de
Pior Ator por sua atuação.
·
A reaparição do rei: A aparição surpresa de Sean Connery nos minutos finais como o Rei Ricardo
Coração de Leão foi mantida sob absoluto segredo na época. Connery gravou tudo
em poucos dias e doou todo o seu cachê para uma instituição de caridade.
·
Improvisos de Alan Rickman: Sabendo que o roteiro original tinha fragilidades no
desenvolvimento do vilão, Rickman contratou amigos comediantes para ajudá-lo a
reescrever suas falas, adicionando o tom de humor ácido que eternizou o
personagem.
Vale a pena
reassistir Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões hoje em dia?
Olhando com os olhos
de hoje, o filme não é perfeito. O ritmo no segundo ato desliza um pouco e a
mistura entre o drama medieval rigoroso e o tom divertido de aventura de capa e
espada pode soar estranha para os mais puristas.
No entanto, a minha
crítica final é extremamente positiva. O longa entrega exatamente o que
promete: duas horas e meia de entretenimento honesto, batalhas épicas com
espadas, cercos a castelos com catapultas, sequências marcantes com arco e
flecha e um vilão impecável. É um cinema feito com paixão, dublês reais e uma
escala de produção de encher os olhos.
Se você quer rever um
bom filme de ação do início dos anos 90 ou apresentar esse universo de
aventuras clássicas para alguém, Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões continua sendo uma
escolha certeira e divertida.
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