Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (Robin Hood: Prince of Thieves)


Se você cresceu nos anos 90 ou costumava passar as tardes de domingo na frente da televisão, provavelmente tem uma memória afetiva gigante com Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (no original, Robin Hood: Prince of Thieves). Eu me lembro perfeitamente da primeira vez em que assisti a essa obra. Era aquele tipo de filme de aventura pura, com espadas, arcos, florestas fechadas e uma energia de companheirismo que prendia qualquer um na cadeira do início ao fim.

Lançado nos cinemas em 1991, o longa dirigido por Kevin Reynolds conseguiu transformar a lenda britânica do herói que rouba dos ricos para dar aos pobres em um verdadeiro fenômeno de bilheteria global. Com uma nota atual de 6.9 no IMDb, o filme combina ação medieval na medida certa com aquela estética grandiosa que só o cinema dessa época sabia entregar.

Por que Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões se tornou um clássico absoluto dos anos 90?

O grande segredo do filme foi a capacidade de misturar uma narrativa de aventura pé no chão com personagens extremamente marcantes. A trama acompanha Robin de Locksley voltando das Cruzadas após anos de sofrimento e prisão. Ao desembarcar na Inglaterra, ele descobre que seu pai foi assassinado e que as terras de sua família foram devastadas pela tirania do Xerife de Nottingham.

A partir daí, a história engata uma jornada de vingança, honra e sobrevivência. Robin se embrenha na Floresta de Sherwood, une forças com um grupo de foras da lei e passa a liderar uma rebelião contra o sistema opressor do condado. É o tipo de enredo direto, focado na lealdade entre amigos, no combate corporal de raiz e no heroísmo clássico que faz a gente torcer por cada flechada disparada em cena.

Quem fez parte do elenco e da produção deste épico de aventura?

O elenco foi um dos maiores acertos do projeto, reunindo nomes que estavam no topo de Hollywood naquele período:

·         Kevin Costner (Robin Hood): Na época, Costner era o maior astro do planeta, recém-saído do triunfo de Dança com Lobos. Ele trouxe um carisma natural e uma presença física de herói clássico, mesmo que sua opção por não usar sotaque britânico tenha gerado debates.

·         Morgan Freeman (Azeem): Interpretando um guerreiro mouro que viaja com Robin por uma dívida de honra, Freeman entregou uma das atuações mais sóbrias e respeitáveis do filme. A química e o respeito mútuo entre ele e Costner sustentam boa parte do peso emocional da história.

·         Alan Rickman (Xerife de Nottingham): Simplesmente o dono do filme. Rickman criou um vilão visceral, sarcástico e completamente insano, roubando todas as cenas em que aparece.

·         Mary Elizabeth Mastrantonio (Lady Marian): Distante da figura de "mocinha indefesa", sua Marian tem atitude, fibra e força própria.

·         Christian Slater (Will Scarlet): O jovem revoltado do bando que traz o tom de rivalidade e dinamismo para o grupo de rebeldes.

As locações reais britânicas deram uma textura incrível para o filme. As filmagens passaram por lugares históricos como a antiga Muralha de Adriano, as florestas de Burnham Beeches, o castelo de Arundel e a imponente Catedral de Salisbury. Essa escolha por cenários reais, com lama, chuva e castelos de pedra de verdade, deu um tom tátil e autêntico que os efeitos digitais de hoje raramente conseguem replicar.

Quais são as melhores curiosidades e bastidores do filme?

Os bastidores dessa produção são tão interessantes quanto a própria história na tela:

·         Trilha sonora inesquecível: A música tema "(Everything I Do) I Do It for You", interpretada por Bryan Adams, explodiu no mundo inteiro. A canção liderou as paradas por semanas consecutivas e a trilha instrumental composta por Michael Kamen tornou-se referência em temas de ação.

·         Premiações e destaques: O filme recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Canção Original e rendeu a Alan Rickman o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no BAFTA. Por outro lado, Kevin Costner acabou "faturando" um prêmio Framboesa de Ouro de Pior Ator por sua atuação.

·         A reaparição do rei: A aparição surpresa de Sean Connery nos minutos finais como o Rei Ricardo Coração de Leão foi mantida sob absoluto segredo na época. Connery gravou tudo em poucos dias e doou todo o seu cachê para uma instituição de caridade.

·         Improvisos de Alan Rickman: Sabendo que o roteiro original tinha fragilidades no desenvolvimento do vilão, Rickman contratou amigos comediantes para ajudá-lo a reescrever suas falas, adicionando o tom de humor ácido que eternizou o personagem.

Vale a pena reassistir Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões hoje em dia?

Olhando com os olhos de hoje, o filme não é perfeito. O ritmo no segundo ato desliza um pouco e a mistura entre o drama medieval rigoroso e o tom divertido de aventura de capa e espada pode soar estranha para os mais puristas.

No entanto, a minha crítica final é extremamente positiva. O longa entrega exatamente o que promete: duas horas e meia de entretenimento honesto, batalhas épicas com espadas, cercos a castelos com catapultas, sequências marcantes com arco e flecha e um vilão impecável. É um cinema feito com paixão, dublês reais e uma escala de produção de encher os olhos.

Se você quer rever um bom filme de ação do início dos anos 90 ou apresentar esse universo de aventuras clássicas para alguém, Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões continua sendo uma escolha certeira e divertida.

 

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