Se tem uma coisa que a gente aprende assistindo a certos clássicos do cinema trash é que nem todo herói consegue salvar o próprio filme. Em 1984, pegando carona no sucesso estrondoso dos filmes do Superman estrelados por Christopher Reeve, Hollywood resolveu dar os holofotes para a Prima do Homem de Aço. O resultado? Bom, prepare o café, porque aqui você perde 124 minutos da sua vida em um roteiro bisonho e regado a muitos "defeitos visuais". Ainda bem que não gastei meu dinheiro no cinema nos anos 80 assistindo a essa "maravilha", mas assisti agora para que você não precise passar por isso sozinho.
Se você está curioso para entender como um projeto com tanto orçamento deu tão errado, vem comigo passar a limpo tudo sobre essa pérola da cultura pop.
Como nasceu o projeto de Supergirl em 1984?
Para entender a bagunça, a gente precisa voltar no tempo. No início dos anos 80, os produtores Alexander e Ilya Salkind detinham os direitos dos personagens da DC Comics no cinema. Depois de três filmes do Superman, eles acharam que seria uma excelente ideia expandir esse universo e apresentar Kara Zor-El ao mundo. O título original do longa ficou simplesmente como Supergirl, e a promessa era entregar uma aventura épica de fantasia e ficção científica.
O comando da direção caiu nas mãos de Jeannot Szwarc, que já tinha no currículo Tubarão 2. A ideia parecia boa no papel, mas a execução... bom, a execução foi uma verdadeira salada de frutas. A produção tentou misturar bruxaria, magia medieval e ficção científica extraterrestre em um caldeirão que simplesmente não funcionou.
Quem faz parte do elenco e onde o filme foi gravado?
Se tem algo que me impressiona nesse filme é como conseguiram reunir um elenco tão respeitável para um roteiro tão fraco. A jovem Helen Slater assumiu o papel principal como Supergirl/Linda Lee e, para ser justo, ela até que se esforça e entrega uma simpatia genuína na tela. Mas o peso pesado veio com os coadjuvantes: Faye Dunaway interpreta a vilã Selena, Peter O'Toole vive Zaltar, e até Faye Dunaway parece ter entrado no modo "canastrice total" para tentar se divertir com o absurdo da história.
As locações principais rolaram nos estúdios Pinewood, na Inglaterra, além de algumas cenas externas gravadas no Reino Unido e nos Estados Unidos.
E vale dar um crédito onde ele é devido: a trilha sonora foi composta pelo lendário Jerry Goldsmith. Ele criou um tema bonito e heróico que realmente tenta empurrar o filme para cima, mas nem a música de um mestre consegue salvar cenas em que os efeitos especiais parecem feitos no improviso.
Vale a pena conferir as premiações e a nota no IMDb?
Se você é do tipo que se guia pelas avaliações da internet antes de dar o play, já prepare o capacete. A nota do filme no IMDb amarga cerca de 4,4 de 10, o que resume bem a recepção do público ao longo das décadas.
Nas premiações, o cenário não foi muito diferente. O filme passou longe do Oscar e acabou dominando as indicações do Framboesa de Ouro daquele ano, concorrendo nas categorias de Pior Ator (Peter O'Toole) e Pior Atriz (Faye Dunaway). A ironia é que a única indicação de certo prestígio foi o prêmio Saturn Award para Helen Slater por sua atuação, o que mostra que o problema definitivamente não era a garota, mas todo o resto ao redor dela.
Quais são as maiores curiosidades e o veredito da crítica?
Olhando com os olhos de hoje, a crítica para Supergirl é quase uma autópsia de um desastre anunciado. A trama gira em torno de um artefato kryptoniano chamado "Omegahedron", que cai na Terra e vai parar nas mãos de uma bruxa de feira (sim, uma bruxa). A partir daí, a história vira uma disputa sem pé nem cabeça por atenção masculina e poderes mágicos que não fazem o menor sentido dentro da mitologia dos heróis.
Entre as curiosidades mais marcantes da produção, vale destacar:
Christopher Reeve estava previsto para fazer uma participação especial como Superman para dar a bênção à prima, mas pulou do barco de última hora quando viu o rumo do roteiro. A solução foi colocar uma linha de diálogo dizendo que o herói estava em uma "missão de paz em outra galáxia".
Os efeitos visuais de voo, que já eram ultrapassados para a época, hoje chegam a ser engraçados de tão visíveis que são os cabos em algumas cenas.
Faye Dunaway aceitou o papel de vilã acreditando que o filme seria um grande sucesso de bilheteria para sua carreira, mas o longa arrecadou apenas cerca de 14 milhões de dólares nos EUA, longe de pagar o orçamento.
No fim das contas, Supergirl de 1984 serve hoje como uma ótima peça de nostalgia e boas risadas entre amigos. Não dá para levar a sério como filme de herói, mas como registro de uma época em que Hollywood atirava para todos os lados sem medo de errar, ele tem seu valor cômico.
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