Já parou para pensar em como o Deus do Trovão mudou ao longo dos anos? Se no começo do Marvel Studios o Thor era aquele guerreiro solene, meio sem jeito com a Terra, no seu quarto filme solo a coisa descambou para a comédia pura e simples. Lançado em 2022, Thor: Amor e Trovão (Thor: Love and Thunder, no título original) é o tipo de filme que divide opiniões de um jeito bem claro: ou você entra no clima da zoeira, ou sai do cinema balançando a cabeça.
Peguei a minha pipoca no lançamento esperando a evolução natural do que vi em Ragnarok, mas a experiência foi uma montanha-russa bem doida. Vou te contar exatamente o que achei e passar por todos os detalhes dessa produção.
Qual é a verdadeira história por trás
de Thor: Amor e Trovão?
A trama pega o Thor (Chris Hemsworth) em pleno dilema de meia-idade superheroico. Depois de salvar o universo e perder quase todo mundo que amava, ele está viajando com os Guardiões da Galáxia tentando se encontrar. É aí que surge o vilão Gorr, o Carniceiro dos Deuses, interpretado por um impressionante Christian Bale. Gorr quer simplesmente exterminar todas as divindades do universo após passar por uma tragédia pessoal terrível.
Para conter essa ameaça, Thor precisa voltar à Nova Asgard e reunir aliados. É aí que entra a maior surpresa da história: Jane Foster (Natalie Portman), sua ex-namorada, reaparece usando o terno do herói e empunhando o Mjolnir empoderado. O reencontro traz uma carga emocional pesada porque Jane está enfrentando um câncer na vida real, e o martelo é tanto sua força quanto algo que consome sua energia. A direção ficou novamente nas mãos de Taika Waititi, que injetou o mesmo ritmo de comédia colorida do longa anterior. As gravações roladoras nos estúdios Fox Studios na Austrália (Sydney), garantindo visuais grandiosos, porém muito dependentes de cenários digitais.
Como o elenco e a trilha sonora
moldaram o tom do filme?
O elenco principal tem química de sobra. O Hemsworth já faz esse papel de olhos fechados, transitando fácil entre o herói forte e o cara meio bobo. Natalie Portman entrega uma performance muito dedicada física e emocionalmente, enquanto Tessa Thompson continua mandando bem demais como a Rei Valquíria. Destaque rápido também para Russell Crowe, que faz uma participação hilária e espalhafatosa como Zeus.
Já a trilha sonora é um show à parte e funciona quase como um personagem. Se em Ragnarok a pegada era o rock com Led Zeppelin, aqui o Taika abusou de Guns N' Roses. Músicas como Sweet Child O' Mine, Welcome to the Jungle e November Rain ditam o ritmo das cenas de ação, trazendo aquela vibe de filme de aventura dos anos 80 que combina muito com o clima que eles tentaram criar.
Valia a pena a expectativa toda?
Minha crítica sobre a obra
Na minha visão, o filme sofre de um problema sério de tom. Christian Bale entrega um Gorr assustador, com uma carga dramática excelente que te faz quase entender a motivação dele. No entanto, o filme corta de uma cena sombria e densa do Gorr para uma piada pastelão de bodes gritando no espaço em questão de segundos.
Essa falta de equilíbrio tira o peso dos momentos sérios. A história do câncer da Jane e a busca do Thor por propósito mereciam um tratamento um pouco mais maduro. Atualmente sustentando uma nota 6.2 no IMDb, o longa entrega um bom entretenimento rápido, tem ótimas cenas de ação, mas passa longe de ser o ápice do herói nas telonas. O excesso de piadas bobas acaba sufocando o potencial da trama.
Quais são as melhores curiosidades e
reconhecimentos do longa?
Mesmo com as críticas divididas, a produção tem bastidores interessantes e conquistou seu espaço:
· Participação em Família: Os filhos de Chris Hemsworth aparecem no filme! Um dos seus filhos gêmeos faz a versão criança do Thor, enquanto sua filha India Rose interpreta a garota Love no final da história.
· Inspiração nos Quadrinhos: A transformação de Jane Foster na Poderosa Thor e a arco do Gorr foram diretamente adaptados da famosa fase das HQs escrita por Jason Aaron.
· Premiações e Indicações: O longa ganhou prêmios voltados ao público jovem, como o People's Choice Awards de Filme de Ação Favorito, além de ser indicado a prêmios técnicos de efeitos visuais e maquiagem no Saturn Awards.
· Sem Loki na Área: Este é um dos poucos projetos do Deus do Trovão onde o Loki de Tom Hiddleston não aparece diretamente, embora haja uma homenagem ao irmão tatuada nas costas de Thor.
No fim das contas, Amor e Trovão é uma
jornada divertida para quem quer só sentar, relaxar e dar risada com um visual
super colorido. Se você aceitar que é uma comédia romântica de ação com capa e
martelo, a experiência acaba sendo bem mais leve.
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