The Rocky Horror Picture Show

 

Quem acompanha o blog sabe que eu sempre dou com a língua nos dentes quando o assunto é musical. Não é meu estilo preferido, passo longe da maioria e acho um pé no saco quando a história para do nada só para o elenco sair dançando no meio da rua. Mas toda regra tem suas exceções. 

Até outro dia, a minha lista de respeitáveis tinha seis títulos: Mamma Mia!, Mamma Mia! Lá Vamos Nós Outra Vez, Tommy, Hair, The Wall e Across the Universe. Agora, preciso dar o braço a torcer e somar mais um nessa conta. Chegou a hora de falar sobre o clássico Cult absolutista: The Rocky Horror Picture Show. 

Como The Rocky Horror Picture Show entrou para a história?

Lançado em 1975 com o mesmo título original (The Rocky Horror Picture Show), o filme nasceu a partir de uma peça teatral britânica criada por Richard O'Brien. Quem dirigiu essa loucura para as telas foi Jim Sharman, mantendo a essência caótica dos palcos. 

A trama acompanha Brad Majors (Barry Bostwick) e Janet Weiss (Susan Sarandon), um casal bem careta que tem o pneu do carro furado numa noite de tempestade. Eles buscam ajuda no castelo mais próximo e acabam caindo na festa do Dr. Frank-N-Furter, interpretado magistralmente por Tim Curry (Lembrou-me do Fred Mercury em alguns momentos). 

O lugar, gravado na impressionante Oakley Court na Inglaterra (uma mansão vitoriana bem sombria), serve de palco para uma mistura maluca de ficção científica B, filmes de terror antigos e muito rock 'n' roll.

Por que a trilha sonora e o elenco fazem esse filme funcionar tão bem?

A grande sacada aqui é a atitude. A trilha sonora não parece música chata de teatro musical tradicional; é pura energia do glam rock dos anos 70. Faixas como "Time Warp" e "Sweet Transvestite" grudam na cabeça e têm um peso de banda de garagem que me conquistou de primeira. 

O elenco entrega tudo sem medo do ridículo. Tim Curry domina cada segundo em cena com uma presença absurda. Ao lado dele, Susan Sarandon e Barry Bostwick fazem o contraste perfeito como os jovens ingênuos. O filme ainda conta com o mestre do rock Meat Loaf no papel de Eddie, entregando uma das cenas mais insanas da produção. 

No IMDb, o longa ostenta uma nota sólida de 7.4, o que reflete seu impacto cultural gigantesco até hoje.

Quais curiosidades e premiações marcam essa obra Cult?

Engana-se quem pensa que o filme foi um sucesso imediato. Na época do lançamento, foi um fracasso retumbante de bilheteria. As coisas só mudaram quando o longa passou a ser exibido nas sessões da meia-noite em cinemas alternativos. O público começou a fantasiar, cantar junto, interagir com a tela e jogar objetos nas cenas. Foi assim que nasceu o maior clássico Cult da história do cinema. 

Em termos de premiações tradicionais, ele nunca foi o queridinho do Oscar, mas venceu o prestigiado Hall of Fame no Producers Guild of America e entrou para o National Film Registry da Biblioteca do Congresso americano por sua importância cultural. 

Uma curiosidade sensacional dos bastidores: a mansão usada como locação não tinha aquecimento nem banheiros funcionando durante as gravações. O frio era tão absurdo que a reação de desconforto dos atores em várias cenas é 100% real.

Qual é a real crítica sobre o filme hoje em dia?

Olhando com o pé no chão, The Rocky Horror Picture Show é uma celebração escancarada da liberdade e do exagero. Não é um filme para assistir esperando um roteiro redondinho e formal. O roteiro é propositalmente galhofa, homenageando aqueles filmes de monstro dos anos 1930 a 1950 que a gente assistia na TV de madrugada. 

A grande moral da história é não se levar tão a sério. Ele mistura uma estética meio punk com humor ácido e uma atitude peituda que falta em muitos filmes atuais. Para quem, assim como eu, não engole qualquer musical, esse aqui funciona justamente porque troca o melodrama chato por pura diversão e rock puro. 

Com essa adição, minha lista fecha em 7 filmes que realmente valem o tempo investido. Se você também tem o pé atrás com o gênero, vale dar uma chance para esse clássico.

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