Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Sorcerer's Stone) (Harry Potter and the Philosopher's Stone)

 


Lembra da primeira vez que você sentiu a magia de entrar em Hogwarts? Eu me lembro perfeitamente. Lançado nos cinemas no final de 2001, Harry Potter e a Pedra Filosofal não foi apenas a adaptação de um livro infanto-juvenil de sucesso. Foi o pontapé inicial de uma das franquias mais lucrativas e marcantes da história da sétima arte.

Se você era criança na época ou se assistiu já depois de adulto, o impacto é inegável. Reassisti ao filme recentemente para organizar minhas impressões e entender como essa obra envelheceu. O resultado é um mergulho gostoso na nostalgia, mas também a constatação de um trabalho técnico impecável na construção de um universo cinematográfico.

Como Harry Potter e a Pedra Filosofal deu início a um império do cinema?

No início dos anos 2000, Hollywood vivia um momento de transição. O público buscava grandes aventuras épicas que pudessem criar mundos inteiros nas telas. Quando a Warner Bros. decidiu adaptar a obra de J.K. Rowling, a responsabilidade era gigante.

A escolha do diretor Chris Columbus foi certeira. Ele já tinha no currículo clássicos da infância de muita gente, como Esqueceram de Mim e Uma Babá Quase Perfeita. Columbus trouxe um tom caloroso, quase aconchegante, para os primeiros anos de Harry em Hogwarts. O filme captura com perfeição a sensação de deslumbramento de um garoto comum descobrindo que é um bruxo famoso em um mundo secreto.

Quais são as informações técnicas e o elenco que marcaram o filme?

Para quem gosta de ter todos os dados na ponta da língua antes de dar o play, compilei a ficha técnica essencial da obra.

O título original varia dependendo da região: nos Estados Unidos foi lançado como Harry Potter and the Sorcerer's Stone, enquanto no Reino Unido manteve o nome do livro, Harry Potter and the Philosopher's Stone. Com uma nota 7.6 no IMDb, o longa ostenta uma aprovação sólida tanto da crítica quanto do público geral.

A escalação do elenco foi um tiro certeiro. Escolher três crianças praticamente desconhecidas para carregar o peso de uma franquia bilionária era um risco enorme. Daniel Radcliffe (Harry Potter), Rupert Grint (Rony Weasley) e Emma Watson (Hermione Granger) demonstraram uma química instantânea na tela.

Para equilibrar a inexperiência dos jovens protagonistas, o filme se cercou do suprassumo do cinema britânico:

·         Alan Rickman como o enigmático e intimidador Professor Severo Snape.

·         Robbie Coltrane como o carismático e gigante Rúbeo Hagrid.

·         Richard Harris como o sábio e sereno Diretor Alvo Dumbledore.

·         Maggie Smith como a rigorosa, porém justa, Professora Minerva McGonagall.

·         Ian Hart no papel do gago Professor Quirrell.

Onde o filme foi gravado e como a trilha sonora criou essa magia?

Uma das coisas que mais admiro na produção desse filme é o uso de locações reais no Reino Unido. Em vez de filmar tudo em estúdio com fundo verde, a equipe foi atrás de castelos e catedrais históricas para dar peso e textura ao mundo bruxo.

O Castelo de Alnwick serviu como cenário para as primeiras aulas de voo de vassoura. As icônicas galerias e corredores de Hogwarts foram gravados na Catedral de Gloucester e na Catedral de Durham. Já a famosa Plataforma 9 ¾ ganhou vida na Estação King's Cross, em Londres, enquanto a biblioteca da escola usou as dependências da histórica Bodleian Library, na Universidade de Oxford.

Sobre a trilha sonora, não há como economizar elogios. Composta pelo mestre John Williams, a música tema (Hedwig's Theme) se tornou um ícone cultural no mesmo nível das trilhas de Star Wars ou Tubarão. Bastam três notas de celesta para que qualquer pessoa identifique o filme na hora. A trilha sonora conduz o espectador pelas cenas de ação, suspense e descoberta com uma maestria exemplar.

Quais são as melhores curiosidades dos bastidores?

Por trás das câmeras, a produção é cheia de histórias interessantes que mostram a atenção aos detalhes e os bastidores do cinema daquela época:

·         Contrato rígido de J.K. Rowling: A autora exigiu que todo o elenco principal fosse estritamente britânico ou irlandês, mantendo a autenticidade dos personagens dos livros.

·         Olhos e dentes artificiais: No início, Daniel Radcliffe usou lentes de contato verdes para combinar com a descrição de Harry nos livros, e Emma Watson usou dentes postiços para simular os dentes da frente avantajados de Hermione. No entanto, Radcliffe teve uma reação alérgica severa às lentes e Watson mal conseguia falar direito com o aparelho, então a ideia foi descartada.

·         A sabedoria de Alan Rickman: J.K. Rowling contou a Alan Rickman o segredo por trás do passado de Snape muito antes do lançamento dos últimos livros. Isso permitiu que o ator desse nuances profundas à sua atuação desde a primeira cena em sala de aula.

·         Sucesso de bilheteria e prêmios: O longa arrecadou mais de 1 bilhão de dólares mundialmente na época e recebeu 3 indicações ao Oscar (Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino), além de 7 indicações ao BAFTA.

Qual é a minha crítica de Harry Potter e a Pedra Filosofal hoje?

Olhando com os olhos de hoje, o filme não é perfeito, mas cumpre sua proposta com um brilhantismo raro. Os efeitos especiais em computação gráfica (CGI) — especialmente na cena do Trasgo no banheiro e na partida de Quadribol — mostram um pouco o peso dos anos. Contudo, os efeitos práticos, o figurino, os cenários de verdade e a maquiagem continuam impecáveis.

O ritmo da narrativa é ágil. Columbus consegue introduzir um universo gigantesco de regras, feitiços, casas e personagens sem deixar a história cansativa. O clima de mistério que envolve a Pedra Filosofal e o mistério de quem está tentando roubá-la funciona quase como um bom filme de investigação infanto-juvenil.

Para mim, o grande triunfo deste primeiro capítulo é o coração da história: a amizade. A jornada de três garotos deslocados que encontram uns nos outros uma verdadeira família é o pilar que sustenta toda a saga. Harry Potter e a Pedra Filosofal é um clássico moderno que se consolida como uma das portas de entrada mais divertidas e nostálgicas para o cinema de fantasia.

 

supergirl

 


Fui ao cinema esperando ver mais uma história de origem tradicional do universo de heróis. O que encontrei na tela foi algo totalmente diferente: um delírio espacial psicodélico que me fez questionar se a pipoca veio com algum tempero especial.

Qual é a história e o contexto por trás do filme Supergirl?

Lançado nos cinemas em junho de 2026, Supergirl (com o título original Supergirl: Woman of Tomorrow) rompe com aquela imagem puritana e certinha da heroína. A produção da DC Studios abandona a Terra e nos joga no meio do cosmos.

A trama acompanha Kara Zor-El em uma jornada intergaláctica de vingança e autodescoberta. Diferentemente do seu primo Clark, que cresceu cercado de amor em uma fazenda no Kansas, Kara viu todo o seu planeta e sua cultura morrerem diante dos seus olhos enquanto crescia em um pedaço flutuante de Krypton. O resultado? Uma garota casca-grossa, traumatizada e que prefere afogar as mágoas em bares espaciais sob sóis vermelhos — onde o superpoder desliga e ela finalmente consegue encher a cara.

Quem está no elenco e na direção desta loucura espacial?

O filme foi comandado por Craig Gillespie (diretor de Eu, Tonya e Cruella), que trouxe exatamente esse ritmo acelerado, cínico e visualmente extravagante. O roteiro assinado por Ana Nogueira se baseia na HQ cultuada de Tom King e Bilquis Evely.

No elenco, a escalação entregou muito vigor:

·         Milly Alcock (Kara Zor-El / Supergirl): A estrela de A Casa do Dragão entrega uma atuação visceral, distante do clichê da mocinha perfeita.

·         Matthias Schoenaerts (Krem dos Montes Amarelos): O vilão implacável que dá início à caçada.

·         Eve Ridley (Ruthye Marye Knoll): A jovem alienígena que contrata a Supergirl para buscar justiça.

·         Jason Momoa (Lobo): O caçador de recompensas que rouba todas as cenas em que aparece.

·         David Corenswet (Superman): Faz uma ponta estabelecendo o contraste perfeito entre a calma do Clark e o caos da Kara.

As filmagens principais rolaram entre estúdios no Reino Unido e locações abertas na Espanha e na Islândia, usadas para compor a paisagem árida de planetas esquecidos. A trilha sonora original foi composta por Claudia Sarne, misturando acordes sintéticos com composições clássicas que ajudam a ditar o ritmo bizarro da projeção.

Vale a pena assistir ou a crítica destruiu o longa?

Se você puxar a nota no IMDb, vai ver a recepção dividida: o filme se segura ali na casa dos 6.2 de 10. Ele divide opiniões porque recusa a fórmula padrão das produções de heróis. Não há grandes discursos sobre esperança; há poeira, sangue alienígena e viagens cósmicas ácidas.

Diferentemente do fracasso datado de Supergirl de 1984, esse aqui até é "assistível", desde que você aceite a liberdade poética do roteiro e tenha tomado "LSD" igual ao roteirista. Aqui encontramos um Momoa caracterizado de "Kiss", e ainda podemos ouvir uma cantora de boate a entoar "The Girl from Ipanema" e "Cheek to Cheek" com corpos e cadeiras voando. Não nos esqueçamos do sol verde. É muito psicodélico.

A câmera de Gillespie não tem medo de mergulhar no absurdo. Onde mais você veria pancadaria espacial com trilha de Bossa Nova em meio ao caos estético? A obra não busca indicações ao Oscar ou premiações de prestígio acadêmico, mas se assume como um faroeste espacial lisérgico e muito divertido para quem embarca na proposta sem frescura.

Quais são as melhores curiosidades dos bastidores?

·         O visual do Lobo: Jason Momoa sempre quis interpretar o Lobo. O figurino e a maquiagem carregam uma influência direta do rock oitentista e de bandas como o KISS, com direito a jaquetas rasgadas e pintura facial agressiva.

·         O Sol Verde: Nos quadrinhos e na física da ficção científica do filme, a radiação do sol verde altera as habilidades dos Kryptonianos de formas bizzaras, o que serviu de gancho para os efeitos visuais mais lisérgicos da fita.

·         Milly Alcock sem filtro: A atriz passou por treinos pesados de luta corporal para passar a sensação de que cada soco da personagem carrega peso de verdade, priorizando dublês reais em vez de computação gráfica pura.

No fim das contas, Supergirl é uma surpresa grata para quem cansou do feijão com arroz das histórias em quadrinhos. Um filme com personalidade de sobra, sem medo de ser esquisito.

Supergirl


 Se tem uma coisa que a gente aprende assistindo a certos clássicos do cinema trash é que nem todo herói consegue salvar o próprio filme. Em 1984, pegando carona no sucesso estrondoso dos filmes do Superman estrelados por Christopher Reeve, Hollywood resolveu dar os holofotes para a Prima do Homem de Aço. O resultado? Bom, prepare o café, porque aqui você perde 124 minutos da sua vida em um roteiro bisonho e regado a muitos "defeitos visuais". Ainda bem que não gastei meu dinheiro no cinema nos anos 80 assistindo a essa "maravilha", mas assisti agora para que você não precise passar por isso sozinho.

Se você está curioso para entender como um projeto com tanto orçamento deu tão errado, vem comigo passar a limpo tudo sobre essa pérola da cultura pop.

Como nasceu o projeto de Supergirl em 1984?

Para entender a bagunça, a gente precisa voltar no tempo. No início dos anos 80, os produtores Alexander e Ilya Salkind detinham os direitos dos personagens da DC Comics no cinema. Depois de três filmes do Superman, eles acharam que seria uma excelente ideia expandir esse universo e apresentar Kara Zor-El ao mundo. O título original do longa ficou simplesmente como Supergirl, e a promessa era entregar uma aventura épica de fantasia e ficção científica.

O comando da direção caiu nas mãos de Jeannot Szwarc, que já tinha no currículo Tubarão 2. A ideia parecia boa no papel, mas a execução... bom, a execução foi uma verdadeira salada de frutas. A produção tentou misturar bruxaria, magia medieval e ficção científica extraterrestre em um caldeirão que simplesmente não funcionou.

Quem faz parte do elenco e onde o filme foi gravado?

Se tem algo que me impressiona nesse filme é como conseguiram reunir um elenco tão respeitável para um roteiro tão fraco. A jovem Helen Slater assumiu o papel principal como Supergirl/Linda Lee e, para ser justo, ela até que se esforça e entrega uma simpatia genuína na tela. Mas o peso pesado veio com os coadjuvantes: Faye Dunaway interpreta a vilã Selena, Peter O'Toole vive Zaltar, e até Faye Dunaway parece ter entrado no modo "canastrice total" para tentar se divertir com o absurdo da história.

As locações principais rolaram nos estúdios Pinewood, na Inglaterra, além de algumas cenas externas gravadas no Reino Unido e nos Estados Unidos.

E vale dar um crédito onde ele é devido: a trilha sonora foi composta pelo lendário Jerry Goldsmith. Ele criou um tema bonito e heróico que realmente tenta empurrar o filme para cima, mas nem a música de um mestre consegue salvar cenas em que os efeitos especiais parecem feitos no improviso.

Vale a pena conferir as premiações e a nota no IMDb?

Se você é do tipo que se guia pelas avaliações da internet antes de dar o play, já prepare o capacete. A nota do filme no IMDb amarga cerca de 4,4 de 10, o que resume bem a recepção do público ao longo das décadas.

Nas premiações, o cenário não foi muito diferente. O filme passou longe do Oscar e acabou dominando as indicações do Framboesa de Ouro daquele ano, concorrendo nas categorias de Pior Ator (Peter O'Toole) e Pior Atriz (Faye Dunaway). A ironia é que a única indicação de certo prestígio foi o prêmio Saturn Award para Helen Slater por sua atuação, o que mostra que o problema definitivamente não era a garota, mas todo o resto ao redor dela.

Quais são as maiores curiosidades e o veredito da crítica?

Olhando com os olhos de hoje, a crítica para Supergirl é quase uma autópsia de um desastre anunciado. A trama gira em torno de um artefato kryptoniano chamado "Omegahedron", que cai na Terra e vai parar nas mãos de uma bruxa de feira (sim, uma bruxa). A partir daí, a história vira uma disputa sem pé nem cabeça por atenção masculina e poderes mágicos que não fazem o menor sentido dentro da mitologia dos heróis.

Entre as curiosidades mais marcantes da produção, vale destacar:

  • Christopher Reeve estava previsto para fazer uma participação especial como Superman para dar a bênção à prima, mas pulou do barco de última hora quando viu o rumo do roteiro. A solução foi colocar uma linha de diálogo dizendo que o herói estava em uma "missão de paz em outra galáxia".

  • Os efeitos visuais de voo, que já eram ultrapassados para a época, hoje chegam a ser engraçados de tão visíveis que são os cabos em algumas cenas.

  • Faye Dunaway aceitou o papel de vilã acreditando que o filme seria um grande sucesso de bilheteria para sua carreira, mas o longa arrecadou apenas cerca de 14 milhões de dólares nos EUA, longe de pagar o orçamento.

No fim das contas, Supergirl de 1984 serve hoje como uma ótima peça de nostalgia e boas risadas entre amigos. Não dá para levar a sério como filme de herói, mas como registro de uma época em que Hollywood atirava para todos os lados sem medo de errar, ele tem seu valor cômico.