Quando decidi sentar e rever A Fantástica Fábrica de Chocolate (título original: Charlie and the Chocolate Factory), confesso que precisei desarmar um pouco meu lado nostálgico.
Mas a versão lançada em 2005, sob a ótica gótica e excêntrica de Tim Burton, é uma experiência
completamente diferente.
Como Tim Burton
reimaginou essa história sem perder a essência?
O enredo básico você provavelmente já conhece: o pequeno
Charlie Bucket (interpretado com extrema sensibilidade por Freddie Highmore)
vive em uma casa caindo aos pedaços com a família e encontra o último Bilhete
Dourado. Isso garante a ele uma visita guiada à misteriosa fábrica do recluso
chocolatier Willy Wonka (Johnny Depp).
A grande sacada de Burton aqui foi resgatar a veia ácida
do livro original de Roald Dahl. Onde a versão de 1971 trazia um tom de fábula leve e acolhedora, a
visão de 2005 aposta no esquisito e no macabro.
O que torna a atuação
de Johnny Depp tão controversa?
Falar do Willy Wonka de Johnny Depp exige esquecer o que
Gene Wilder fez três décadas antes. Enquanto Wilder exalava um charme misterioso e paternal, Depp entrega
um Wonka socialmente travado, paranóico, com trauma de infância por causa do
pai dentista (papel brilhantemente interpretado pelo mestre Christopher Lee).
O elenco ainda conta
com nomes de peso como Helena Bonham Carter e Noah Taylor como os pais de
Charlie, além de David Kelly brilhando como o Vovô Joe. Mas o grande destaque
cômico e bizarro vai para Deep Roy,
que interpretou absolutamente todos os Oompa Loompas. O ator teve que repetir movimentos centenas de vezes para que fossem multiplicados digitalmente, um
esforço insano que deu um toque único às cenas musicais.
Falando em música, a trilha
sonora comandada pelo parceiro habitual de Burton, Danny Elfman, é um show à parte.
Quais segredos e
curiosidades cercam a produção?
A produção de 2005 carrega
histórias de bastidores que mostram o capricho da equipe:
·
O carinho com os detalhes: A Nestlé forneceu cerca de 1.850 barras de chocolate de
verdade para a composição das filmagens.
·
Aprovação da família: Ao contrário do longa de 1971 (que o próprio autor Roald Dahl odiou
por conta das mudanças no roteiro), a viúva de Dahl deu total aprovação e
liberdade criativa para Tim Burton.
·
A redefinição de papeis: Antes de Johnny Depp fechar o contrato, nomes insanos
foram cotados para o papel de Wonka, incluindo Jim Carrey, Nicolas Cage e até o
cantor Michael Jackson.
·
Reconhecimento técnico: O filme não venceu estatuetas principais, mas garantiu
uma indicação ao Oscar de
Melhor Figurino pela impecável direção de arte e vestuário gótico
assinado por Gabriella Pescucci.
Vale a pena rever esse remake
hoje em dia?
Sem rodeios: sim, vale muito a pena. No entanto, é preciso assistir sabendo exatamente o que esperar.
Burton conseguiu
criar um espetáculo visual moderno sem soar genérico. A dinâmica entre a
humildade de Charlie e a falha de caráter das outras crianças mimadas continua
afiada e atual. Para quem gosta do estilo de cinema direto, esteticamente rico
e com aquela pitada de acidez, A
Fantástica Fábrica de Chocolates de Tim Burton permanece como um
blockbuster com personalidade de sobra.
Escolhi este vídeo por mostrar
os créditos iniciais e a icônica trilha sonora criada por Danny Elfman, que
ditam perfeitamente o tom sombrio e divertido do filme de Tim Burton.
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