Esquadrão Suicida (Suicide Squad)

 


Lembro exatamente do barulho que esse filme fez quando os primeiros trailers saíram. Era 2016, o hype para ver um grupo de vilões da DC reunido para cumprir missões suicidas em troca de pena reduzida estava no teto. Depois do tom extremamente denso de Batman vs Superman, a promessa de uma aventura mais insana, estilizada e cheia de atitude vendeu ingressos como poucas produções da época.

Mas quando a poeira baixou e a sessão terminou, o resultado dividiu opiniões. Lançado com o título original de Suicide Squad, o longa cravou uma nota 5,9 no IMDb e virou tema de debates inflamados que duram até hoje. Vou mandar a real sobre tudo o que rolou na tela e nos bastidores desse projeto.

Qual é a verdadeira história por trás de Esquadrão Suicida?

A premissa é simples e funciona muito bem no papel. A agente governamental Amanda Waller decide que, em um mundo onde seres superpoderosos como o Superman podem aparecer a qualquer momento, o governo precisa de um plano de contingência. A solução dela é recrutar os piores criminosos encarcerados em Belle Reve para formar uma força-tarefa secreta, a Força-Tarefa X.

A dinâmica do grupo gira em torno de uma coleira bem apertada: cada um recebe um microchip explosivo no pescoço. Se tentarem fugir ou desobedecer ordens, o comandante em campo explode a cabeça deles sem pensar duas vezes. A missão principal acaba sendo conter uma ameaça mística na cidade de Midway City, onde a Entidade Magia assume o controle do corpo da Dra. June Moone e ameaça destruir o planeta.

Quem faz parte do elenco e da direção da produção?

Na cadeira de diretor, temos David Ayer, conhecido por comandar produções policiais cruas e urbanas como Marcados para Morrer e Corações de Ferro. A ideia de ter Ayer à frente prometia um filme de quadrinhos com pegada de pé no chão, visceral e militar.

O elenco reuniu nomes gigantes do cinema de ação e drama:

·         Will Smith como Floyd Lawton / Pistoleiro (Deadshot), trazendo o peso dramático do mercenário que faz tudo pela filha.

·         Margot Robbie como Dra. Harleen Quinzel / Arlequina, em uma atuação histórica que roubou a cena e definiu a personagem na cultura pop.

·         Jared Leto como o Coringa, em uma versão bem controversa e gangsterística do vilão.

·         Viola Davis como Amanda Waller, fria, calculista e imponente.

·         Joel Kinnaman como o Coronel Rick Flag, o militar encarregado de manter a ordem na equipe.

·         Jay Hernandez (El Diablo), Jai Courtney (Capitão Bumerangue) e Adewale Akinnuoye-Agbaje (Crocodilo) completam o time principal.

Grande parte das gravações aconteceu no Canadá, usando Toronto e os estúdios da Pinewood Toronto Studios como cenário para simular as ruas escuras e destruídas de Midway City.

A trilha sonora e os bastidores realmente valem a pena?

Se existe um ponto em que a produção acertou em cheio, foi na música. A trilha sonora oficial virou um fenômeno próprio de vendas. O álbum misturava hip-hop, rock e música eletrônica com maestria, incluindo faixas inéditas criadas sob medida como "Heathens" da banda Twenty One Pilots, "Purple Lamborghini" de Skrillex e Rick Ross, e "Gangsta" da cantora Kehlani. Além das faixas originais, o filme usou clássicos icônicos no ritmo do enredo, de Queen com "Bohemian Rhapsody" a Rolling Stones com "Sympathy for the Devil".

Nos bastidores, o clima foi tão fora do normal quanto a própria história. Jared Leto levou o método de atuação ao limite e começou a mandar "presentes" estranhos para os colegas de elenco durante as filmagens, incluindo um rato vivo para Margot Robbie e projéteis de arma de fogo para Will Smith. O elenco criou tanta afinidade durante a produção em Toronto que vários atores, incluindo Margot Robbie e Will Smith, compraram máquinas de tatuagem e tatuaram a palavra "SKWAD" uns nos outros.

Outro detalhe marcante foi o reconhecimento do trabalho de caracterização: o filme venceu o Oscar de Melhor Maquiagem e Penteados em 2017, transformando atores em criaturas fantásticas com efeitos práticos impressionantes.

O filme Esquadrão Suicida é bom ou foi uma decepção?

Analisando a obra hoje, o filme é um prato cheio para entender como a interferência de estúdio pode mudar o rumo de uma história. A visão original de David Ayer era mais sombria, violenta e focada nos dilemas morais daqueles anti-heróis. No entanto, após a recepção mista de Batman vs Superman e o sucesso estrondoso de trailers editados ao som de rock, a produtora decidiu reeditá-lo para deixá-lo mais leve, divertido e dinâmico.

O resultado final na tela reflete essa briga de visões. O primeiro ato do filme é ágil e empolgante, funcionando quase como um videoclipe estendido onde cada personagem ganha uma apresentação de impacto. Will Smith entrega um Pistoleiro carismático e Margot Robbie simplesmente nasceu para viver a Arlequina, entregando o timing cômico e a insanidade perfeita da personagem.

Por outro lado, o roteiro peca no desenvolvimento do vilão principal. A Magia e seu irmão não conseguem criar uma ameaça interessante, e o clímax vira aquele clássico confronto de tiros contra um feixe de luz azul no céu. O Coringa de Jared Leto também sofreu muito na montagem final, com quase todas as suas cenas cortadas, o que deixou sua participação desconexa dentro do enredo principal.

No fim das contas, Esquadrão Suicida entrega um entretenimento honesto para um fim de semana descompromissado. Tem cenas de ação muito bem filmadas, um visual marcante e um elenco com excelente química em cena. Mesmo longe de ser um clássico irretocável do gênero, abriu portas fundamentais para o universo DC nos cinemas e provou que o público queria ver personagens menos óbvios ocupando as telas.

 


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