Quando o assunto é dar uma cara nova para clássicos dos anos 90, confesso que costumo ficar com um pé atrás. Mexer na memória afetiva de quem cresceu assistindo ao lendário Robin Williams no filme original de 1995 parecia uma receita pronta para o desastre. Só que, quando sentei no sofá para assistir a Jumanji: Bem-Vindo à Selva (Jumanji: Welcome to the Jungle), percebi em poucos minutos que a proposta aqui era outra.
Lançado no final de 2017, o longa não tentou copiar o original. Em vez
disso, atualizou a premissa de um jeito esperto: o velho tabuleiro de madeira
virou uma fita de videogame retrô. O resultado foi uma aventura leve,
bem-humorada e surpreendentemente divertida, que ostenta uma nota 6.9 no IMDb e entregou exatamente o que prometeu: duas
horas de puro entretenimento.
Por que a troca de
tabuleiro para videogame funcionou tão bem?
A grande sacada do diretor Jake Kasdan foi virar a lógica da franquia do avesso.
No filme de 95, a selva invadia o mundo real. Aqui, são quatro adolescentes de um colégio em detenção que acabam
sendo sugados para dentro do jogo.
O nerd tímido e magricela (Alex
Wolff) se transforma no fortão sem fraquezas Dr.
Essa inversão gera um
contraste absurdo. Ver o The Rock atuando com a insegurança de um garoto de 16
anos ou o Jack Black agindo como uma adolescente obcecada por celular cria
ganchos cômicos que sustentam o longa do início ao fim. O vilão Van Pelt, interpretado
por Bobby Cannavale, cumpre seu papel sem grandes
sobressaltos, mas a dinâmica do grupo principal — somada à participação do
jovem piloto preso no jogo há décadas, vivido por Nick Jonas — segura o ritmo sem deixar a peteca cair.
Onde o filme foi gravado
e como a ambientação faz a diferença?
Grande parte do apelo
visual da produção vem do uso de locações reais em vez de depender
exclusivamente de telas verdes e cenários de estúdio. A equipe rodou a maior
parte da produção na ilha de Oahu, no
Havaí. Lugares como o Vale de Kualoa entregaram aquele ar de mata
fechada, vales imponentes e paredões de pedra de verdade, o que dá um peso bem
mais bacana para as cenas de ação.
A trilha sonora composta por Henry Jackman é competente na hora de ditar o ritmo das
perseguições e lutas. No entanto, o destaque musical fica mesmo por conta do clássico "Welcome to the Jungle", do Guns N' Roses, que entra no momento certo para incendiar o clima
de aventura e dá o tom exato dessa jornada rápida e barulhenta.
Quais são as melhores
curiosidades por trás das câmeras?
Se você curte
detalhes de bastidores, a produção tem alguns pontos bem interessantes que
mostram o carinho do projeto com a obra original:
·
Tributo respeitoso: O filme faz uma homenagem direta a Alan Parrish,
personagem de Robin Williams. A casa na árvore onde o grupo se abriga traz a
inscrição "Alan Parrish esteve aqui", gravada na madeira.
·
A química espontânea: Dwayne Johnson e Kevin Hart já tinham uma amizade forte fora das
telas, e boa parte dos insultos e provocações entre seus personagens no filme
foi improvisada no set.
·
Jack Black impecável: Para interpretar Bethany, Jack Black conversou bastante com a jovem
atriz Madison Iseman e ouviu playlists com as músicas pop que ela escutava na
época para pegar os trejeitos e a linguagem corporal.
·
Traje questionado: O visual de Karen Gillan gerou polêmica quando as
primeiras fotos saíram, por ser bem mais curto e revelador que o dos outros. O
próprio roteiro usou isso a favor da narrativa, satirizando as roupas
hipersexualizadas e nada práticas das garotas de videogames dos anos 90.
·
Premiações e bilheteria: Embora não seja um filme focado em levar estatuetas do
Oscar, a produção foi um verdadeiro monstro comercial. Arrecadou mais de 960
milhões de dólares globalmente e faturou indicações e prêmios focados em
entretenimento, como o Kids' Choice Awards e o MTV Movie & TV Awards.
Vale a pena assistir
a Jumanji: Bem-Vindo à Selva hoje?
Olhando para a obra
como um todo, o saldo é extremamente positivo. Não estamos falando de um drama
profundo ou de uma produção que vai redefinir a história do cinema. Trata-se de
um blockbuster honesto, feito com orçamento de ponta para divertir e fazer a
gente desligar a cabeça por duas horas.
O filme acerta ao
usar a nostalgia sem ficar refém dela. Em vez de tentar refazer o que Robin
Williams fez com tanta maestria no passado, o roteiro cria suas próprias regras
de jogo. As regras de videogame — como ter apenas três vidas marcadas no pulso,
diálogos repetitivos de NPCs e habilidades específicas — funcionam muito bem
como motor de comédia e tensão.
Para mim, a grande
força do filme está na química do elenco e na mensagem simples, mas eficiente,
sobre sair da zona de conforto e aprender a trabalhar em equipe. Se você
procura uma boa comédia de ação para curtir no fim de semana com uma pipoca do
lado, Jumanji: Bem-Vindo à Selva continua sendo uma escolha
certeira e garantia de boas risadas.
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