Se você é fã daquela estética clássica dos anos 90, com tecnologia da época, roubos elaborados e uma boa dose de suspense, precisa bater um papo sobre Armadilha.
Sabe aquele filme que passa na TV num fim de tarde de domingo e você
simplesmente não consegue mudar de canal? Foi exatamente assim comigo quando o
reassisti há um tempo. Tem algo muito satisfatório em ver dois grandes nomes do
cinema arquitetando um plano mirabolante, sem pressa, medindo cada passo.
Antes de entrar nos detalhes que tornam essa obra tão marcante, vou
responder às dúvidas mais frequentes sobre o filme para deixar tudo bem
mastigado.
Qual é o contexto de lançamento de Armadilha e suas informações básicas?
Lançado
no mercado em 1999, sob o título original Entrapment, o filme
chegou aos cinemas aproveitando perfeitamente o clima do "bug do
milênio". A virada para o ano 2000 trazia aquela incerteza sobre o futuro dos
sistemas bancários e da tecnologia, o que serviu de pano de fundo perfeito para
a trama.
Atualmente, ele ostenta uma nota 6.3 no IMDb
(com base em mais de 100 mil avaliações), o que reflete bem o que ele é: um
suspense de assalto extremamente honesto, divertido e focado no entretenimento
purista da época.
Quem comanda a direção e quem faz
parte do elenco principal?
O filme foi comandado pelo diretor britânico Jon Amiel,
que soube equilibrar muito bem a tensão das cenas de ação com o jogo
psicológico entre os protagonistas.
No elenco, temos uma química absurda na tela liderada por dois astros:
·
Sean Connery como Robert "Mac"
MacDougal, um lendário ladrão de arte veterano.
·
Catherine Zeta-Jones no papel de Virginia "Gin" Baker, uma investigadora de
seguros misteriosa que tenta encurralar Mac.
O
elenco secundário ainda traz nomes de peso como Ving Rhames (Aaron
Thibadeaux), Will Patton (Hector Cruz) e Maury Chaykin.
Onde o filme foi gravado e como a
trilha sonora impacta a obra?
As
locações são um show à parte e dão ao filme uma escala global espetacular. A produção rodou
cenas em pontos icônicos como:
·
O
icônico prédio do Lloyd's em Londres e o requintado Hotel Savoy.
·
O imponente Castelo Duart e o Eilean Donan, nas terras altas da Escócia (onde fica o
refúgio do personagem de Connery).
·
E o
clímax no ápice do luxo moderno da época: as impressionantes Petronas Twin
Towers, em Kuala Lumpur, na Malásia, que na época eram os edifícios mais
altos do mundo.
A
trilha sonora instrumental foi composta por Christopher Young, que
conseguiu criar temas soturnos e elegantes para os momentos de infiltração. Já nos créditos finais, temos a faixa "Lost My Faith",
interpretada pelo cantor Seal, que casa perfeitamente com a vibração
urbana e sofisticada do final do filme.
Quais são as curiosidades e
premiações marcantes dos bastidores?
Nenhuma grande obra do gênero escapa dos bastidores interessantes. Em relação a premiações, o filme acabou sendo exibido fora
de competição no prestigiado Festival de Cannes em 1999. No entanto, a
diferença de idade de cerca de 39 anos entre Sean Connery e Catherine
Zeta-Jones gerou falatório na época, fazendo com que o par recebesse indicações
ao infame Framboesa de Ouro — algo que os fãs de verdade ignoram, já que a
dinâmica funciona na tela.
Entre as curiosidades mais legais:
1. Treinamento real: Catherine
Zeta-Jones dispensou dublês na famosa e memorável cena em que se esquiva dos
lasers de segurança. Ela fez aulas intensivas de ginástica para conseguir fazer
as acrobacias com precisão física total.
2. Incômodo
governamental: O governo da Malásia não gostou muito de como Kuala Lumpur foi
retratada. Eles reclamaram porque o filme editou tomadas das ultramodernas
Petronas Towers ao lado de favelas de outra região, passando a impressão de que
ficavam no mesmo lugar.
3. Escultura no
escuro: A cena do roubo do artefato chinês em Nova York exigiu uma logística de
iluminação absurda para criar a sensação de escuridão total enquanto mantinha
os atores visíveis para o público.
Vale a pena assistir? Minha crítica
do filme
O grande triunfo de Armadilha não está
em reviravoltas mirabolantes a cada cinco minutos, mas no charme do processo. O
roteiro entende que o espectador quer ver duas coisas: planejamento meticuloso
e execução técnica sob pressão.
A primeira metade é focada no treinamento rigoroso na Escócia. Ver o
personagem de Connery moldar e testar a personagem de Zeta-Jones cria uma
tensão divertida, onde ninguém confia 100% no outro. A partir do momento em que
a ação se muda para a Malásia na noite de Ano Novo de 1999, o ritmo acelera e o
filme entrega sequências de assalto vertiginosas.
A química entre Connery e Zeta-Jones sustenta a narrativa com
facilidade. Connery entrega aquele carisma imponente de mestre do crime sem
esforço, enquanto Zeta-Jones rouba a cena com uma atitude firme, inteligente e
extremamente física.
Se você procura um thriller de assalto honesto, sem excesso de efeitos
digitais genéricos, com ótimas locações reais e um clima de suspense muito bem
amarrado, Armadilha continua sendo uma pedida excelente. É o
cinema do final dos anos 90 em sua forma mais funcional e divertida.
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