Quando parei para rever Homem-Aranha 3 recentemente, me peguei lembrando exatamente de como foi a expectativa em maio de 2007. Depois do sucesso estrondoso do segundo filme, todo mundo no cinema esperava o ápice da trilogia comandada por Sam Raimi. Lembro de ver os teasers do traje preto e pensar que veríamos a história definitiva do herói nas telas.
Com o título original de Spider-Man 3, o longa entregou um espetáculo visual
gigantesco para a época, mas também dividiu opiniões de um jeito que poucos
filmes de super-herói conseguiram. Hoje, o filme ostenta uma nota 6,3 no IMDb, um reflexo direto dessa
relação de amor e ódio que o público construiu com a obra ao longo dos anos.
Quem
está no elenco e na direção deste clássico de 2007?
No comando da direção, tínhamos novamente o talentoso Sam
Raimi, que já tinha provado saber equilibrar ação de primeira com o drama
pessoal do Peter Parker. No elenco principal, Tobey Maguire retornou como Peter Parker /
Homem-Aranha, acompanhado por Kirsten Dunst como Mary Jane Watson e James
Franco no papel de Harry Osborn, que finalmente assume o manto do Novo Duende.
Para expandir a
história, o filme trouxe novos rostos de peso: Thomas Haden Church
interpretando Flint Marko (o Homem-Areia), Topher Grace na pele de Eddie Brock
(que se torna o Venom) e Bryce Dallas Howard como Gwen Stacy. Além deles,
tivemos os retornos marcantes de Rosemary Harris como a sábia Tia May e J.K.
Simmons dando um show no papel do icônico J. Jonah Jameson.
Como foi a produção,
as locações e a trilha sonora?
A produção do filme
foi colossal. As filmagens passaram por locais marcantes como Nova York, Los
Angeles e até Cleveland, no estado de Ohio, onde gravaram a impressionante cena
de perseguição do caminhão blindado com o Homem-Areia na rua.
Na parte musical,
houve uma transição interessante. Enquanto Danny Elfman assinou as trilhas
marcantes dos dois primeiros filmes, quem assumiu a composição principal aqui
foi Christopher Young. Ele manteve os temas clássicos que a gente já conhecia
de cor, mas adicionou novas camadas sonoras bem mais sombrias para acompanhar a
chegada do simbionte alienígena e o drama do Homem-Areia.
O investimento pesado
na parte técnica rendeu frutos na época. O filme recebeu uma indicação ao
prestigiado prêmio BAFTA na categoria de Melhores Efeitos Especiais, além de
disputar várias categorias no Saturn Awards, incluindo Melhor Filme de Fantasia
e Melhor Direção.
Quais são as maiores
curiosidades e bastidores do filme?
Os bastidores desse
projeto são recheados de histórias curiosas e decisões conturbadas de estúdio:
·
A pressão por Venom: Sam Raimi não queria colocar o Venom na história. O
diretor preferia focar na relação entre Peter, Harry e o Homem-Areia. No
entanto, por pressão direta do produtor Avi Arad e dos executivos do estúdio,
Venom foi incluído à força no roteiro para agradar aos fãs dos quadrinhos nos
anos 90.
·
A complexidade do Homem-Areia: Criar os efeitos digitais para os grãos de areia do
personagem Flint Marko foi um pesadelo técnico na época. A equipe de computação
gráfica teve que desenvolver programas do zero para simular a física real da
areia.
·
Gravações arriscadas: Bryce Dallas Howard realizou algumas das suas próprias
cenas de ação no filme, incluindo a famosa cena da queda do prédio, sem saber
que estava grávida nas primeiras semanas de filmagem.
·
A dancinha do Peter Emo: A controversa sequência em que Peter Parker, dominado
pelo simbionte, anda pela rua dançando e fazendo compras virou um dos maiores
memes da história da internet. Na época, a cena chocou muitos fãs no cinema,
mas hoje é vista por muitos com certo humor nostálgico.
Vale a pena
reassistir Homem-Aranha 3 hoje em dia?
Analisando a obra com o distanciamento do tempo, a minha
leitura sobre o filme mudou um pouco. O grande problema de Homem-Aranha 3 nunca foi a qualidade da direção ou das
atuações, mas sim o excesso de vilões disputando espaço em pouco mais de duas
horas de projeção. Desenvolver a redenção do Harry, a tragédia pessoal do Homem-Areia e o
arco sombrio do Venom ao mesmo tempo pesou na narrativa.
Por outro lado, as
sequências de ação envelheceram super bem. O confronto entre Peter e Harry nos
becos, a luta no metrô contra o Homem-Areia e o clímax na obra da construção
continuam sendo pratos cheios para quem gosta de um bom cinema de ação. Além
disso, o desfecho da amizade entre Peter e Harry traz um peso emocional honesto
que encerra a trilogia com dignidade.
No fim das contas,
mesmo com suas falhas de ritmo e escolhas duvidosas, Homem-Aranha 3 continua sendo um blockbuster divertido,
corajoso e cheio de personalidade. É um filme que tenta abraçar o mundo e,
mesmo tropeçando em alguns momentos, deixa uma sensação gostosa de nostalgia
para quem acompanhou aquela era de ouro dos heróis no cinema.
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