Sempre fui meio pé atrás com reboots, e admito que quando anunciaram mais uma versão do herói da vizinhança, pensei: "precisava mesmo?". Mas depois de ver a estreia em Capitão América: Guerra Civil, dei o benefício da dúvida. Sentei pra ver Homem-Aranha:De Volta ao Lar esperando apenas mais um blockbuster genérico, mas acabei me surpreendendo. O filme consegue entregar leveza, pé no chão e uma pegada de comédia adolescente dos anos 80 que funciona demais.
Aqui vou mandar a real
sobre tudo o que envolve essa produção, desde o contexto técnico até a minha
visão sincera do longa.
Como o herói se
encaixou no Universo Marvel?
A grande sacada desse
longa foi pular a famigerada parte do tio Ben e da picada de aranha. Todo mundo
já cansou de ver essa origem no cinema. O contexto aqui é direto ao ponto: acompanhamos
Peter Parker tentando voltar à vida normal no Queens depois de ter participado
de uma batalha épica na Alemanha ao lado dos Vingadores.
Com o título original de Spider-Man: Homecoming, o filme foi lançado no meio de 2017 sob a direção de Jon Watts.
O elenco conta com um
time de peso:
·
Tom Holland
·
Michael Keaton
·
Robert Downey Jr.
·
Jacob Batalon
·
Zendaya
·
Marisa Tomei
·
Jon Favreau
A produção teve suas filmagens
concentradas no Pinewood Atlanta Studios, no estado da Geórgia, além de locações reais em Atlanta e, claro, cenas externas essenciais gravadas direto no coração de Nova York e em Washington, D.C.
O que faz a trilha
sonora e os bastidores brilharem?
Se tem algo que me
pegou logo nos primeiros segundos foi a trilha sonora. O compositor Michael Giacchino fez uma jogada de mestre: ele pegou o
clássico tema da animação de 1967 do Homem-Aranha e o transformou em uma
abertura orquestrada épica. Arrepia na hora. Além da música instrumental, o
filme pega pesado no rock clássico e pop punk, usando faixas de bandas como The Ramones ("Rock 'n' Roll High School") para ditar o
ritmo frenético da adolescência de Peter.
Nos bastidores,
rolaram algumas curiosidades bem legais que valem o registro:
·
Estágio secreto: Pra sacar o clima das escolas americanas modernas, Tom
Holland se matriculou disfarçado com um nome falso em um colégio de alta
performance no Bronx, em Nova York, por alguns dias.
·
Escalação do vilão: Michael Keaton aceitou viver o Abutre, marcando a
terceira vez que interpretou um personagem ligado a aves/morcegos no cinema (já
tendo sido o Batman
de Tim Burton e o protagonista de Birdman).
·
Construção do traje: Diferente das franquias anteriores, o uniforme aqui foi
projetado por Tony Stark, cheio de aparelhos e uma IA interna (a
"Karen"), o que dividiu opiniões, mas trouxe uma dinâmica nova.
Em termos de premiações, por
ser um filme de apelo mais comercial e jovem, ele não figurou no Oscar, mas
dominou premiações de cultura pop, levando estatuetas no Saturn Awards (incluindo Melhor Ator Jovem para Tom Holland) e no Teen Choice Awards.
O filme realmente entrega uma
boa história?
Falando de forma bem direta
sobre a obra: o filme acerta em cheio ao reduzir o escopo da ameaça.
O grande triunfo da
narrativa está na dinâmica entre o herói e o vilão. O Abutre de Michael Keaton
é um dos melhores vilões do Marvel Studios justamente por ser um cara comum, um
trabalhador que foi esmagado pelas grandes corporações e resolveu tirar a dele
por fora. A cena do carro, onde Toomes leva Peter e sua filha para o baile de
formatura e descobre a identidade do herói, é um verdadeiro mestre em tensão e
atuações.
Por outro lado, o excesso de dependência do Homem de
Ferro incomoda um pouco quem cresceu vendo o Teioso resolver os próprios
perrengues na raça. Toda aquela tecnologia no uniforme às vezes faz parecer que
o Aranha é só um "Mini-Homem de Ferro". No entanto, a reta final compensa isso ao colocar o garoto sob os
escombros, forçando-o a confiar no seu próprio valor e força, sem aparelhos
caros.
Vale a pena assistir
ou reassistir hoje em dia?
Com certeza. O longa
cumpre o seu papel de ser divertido, movimentado e muito gostoso de acompanhar.
Jon Watts conseguiu equilibrar perfeitamente o drama juvenil com a
responsabilidade de ser um herói sem deixar a peteca cair em nenhum momento.
É um filme leve, direto, que
não tenta inventar a roda, mas faz o básico bem feito e devolve aquele gostinho
de ver o Aranha atuando onde ele é melhor: no nível da rua, salvando a
vizinhança.
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