Quando parei no cinema para assistir a Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far From Home), confesso que estava curioso para ver como a Marvel lidaria com o peso gigantesco de fechar a Fase 3 do seu universo cinematográfico. Afinal, o longa chegou às telas em 2019, logo após os eventos devastadores de Vingadores: Ultimato, e a missão de entregar um filme mais leve sem perder o impacto emocional não era nada fácil.
Comandado pelo diretor Jon Watts, a obra
atualmente ostenta uma nota 7,4 no IMDb. Para mim, essa
pontuação reflete bem a proposta: uma aventura empolgante, com uma boa dose de
comédia adolescente e reviravoltas no tom certo.
Por que Homem-Aranha: Longe de Casa é
um marco para a Marvel?
O grande trunfo do roteiro foi colocar o Peter Parker em um dilema que
qualquer pessoa consegue entender. O garoto só queria descansar,
viajar com os amigos de escola e tentar se declarar para a MJ. Mas a
responsabilidade bate à porta quando Nick Fury aparece convocando o herói para
lidar com uma nova ameaça global.
O filme funciona quase como um rito de passagem. Peter sente a pressão
de tentar ocupar o vazio deixado por Tony Stark, enquanto tenta ser apenas um
jovem comum de 16 anos. Essa dualidade entre o garoto inseguro e o herói
mascarado dá o tom do longa do início ao fim.
O elenco brilha com uma química muito natural:
·
Tom Holland como Peter Parker /
Homem-Aranha
·
Zendaya como MJ
·
Jake Gyllenhaal como Quentin Beck / Mysterio
·
Samuel L. Jackson como Nick Fury
·
Jacob Batalon como Ned Leeds
·
Marisa Tomei como Tia May
Como as locações europeias e a trilha
sonora transformam o filme?
Diferente da maioria dos filmes do Teioso, que se passam quase
inteiramente entre os arranha-céus de Nova York, a produção levou a história para
o Velho Continente.
As
filmagens passaram por lugares incríveis como Veneza na Itália, Praga
na República Tcheca, Londres no Reino Unido e áreas da Espanha,
além de estúdios em Hertfordshire. Ver o Homem-Aranha se pendurando em
pontes históricas de Veneza ou lutando em meio aos cenários clássicos de Praga
trouxe um frescor visual excelente para a franquia.
Para acompanhar esse ritmo dinâmico, a trilha sonora foi
composta por Michael Giacchino. O compositor soube mesclar
perfeitamente temas orquestrais épicos com arranjos mais ágeis, além de
integrar canções pop e clássicos europeus que combinam perfeitamente com o
clima de viagem escolar.
Quais são as maiores curiosidades e
premiações do filme?
Se você curte detalhes bastidores, o longa tem vários pontos
interessantes que merecem destaque:
·
O retorno de um ícone: A cena
pós-créditos trouxe de volta J.K. Simmons no papel de J. Jonah Jameson, pegando
todo mundo de surpresa no cinema e conectando o filme com a trilogia clássica
dos anos 2000.
·
O traje furtivo: O famoso traje preto, apelidado de
"Macaco de Ferro" pelos colegas de classe de Peter, foi desenhado
para lembrar os trajes táticos da SHIELD.
·
Vilão da era da desinformação: A construção do
Mysterio como um mestre das ilusões e holografias funcionou como uma metáfora
perfeita para as fakes news do mundo real.
Nas premiações, o filme não passou em branco. Venceu categorias relevantes no
Saturn Awards, incluindo Melhor Atriz Coadjuvante para Zendaya e Melhor
Desempenho de Jovem Ator para Tom Holland. Também garantiu prêmios no Teen
Choice Awards e no People's Choice Awards, provando o seu enorme
sucesso popular.
Qual é a minha crítica sobre
Homem-Aranha: Longe de Casa?
Na minha visão, o filme acerta em cheio ao equilibrar a grandiosidade de
um blockbuster de super-heróis com o charme de uma comédia romântica
adolescente.
A atuação de Jake Gyllenhaal como Mysterio é um dos pontos altos. Ele
consegue transitar entre a figura de um mentor confiável e a de um vilão
teatral e manipulador com extrema facilidade. A sequência da ilusão, onde o
Homem-Aranha é jogado em um labirinto mental psicodélico, é facilmente uma das
cenas visuais mais bem executadas de todo o Universo Cinematográfico da Marvel.
Embora o ritmo dê uma ligeira desacelerada no segundo ato, o terceiro
ato em Londres entrega toda a ação e adrenalina que esperamos de um filme do
Aranha. É uma obra divertida, honesta com seus personagens e que cumpre
com louvor o seu papel de encerrar uma era marcante do cinema de heróis.
Se você quer uma boa maratona de fim de semana, vale a pena dar o play sem
pensar duas vezes.
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