No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow)

 


Sempre fui fã de cinema de ficção científica, mas admito que quando ouvi falar do projeto de No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow), fiquei com um pé atrás. Parecia só mais um blockbuster genérico com o Tom Cruise correndo de tiros. Eu não poderia estar mais errado. Quando sentei para assistir no cinema, em 2014, fui atropelado por uma das produções mais bem amarradas, intensas e divertidas da última década.

O filme nos joga no meio de uma invasão alienígena brutal pela Europa, onde uns monstros ágeis e letais chamados Mimics estão varrendo a humanidade do mapa. É aí que entra o Major William Cage, um cara do setor de relações públicas do exército que nunca pisou num campo de batalha e morre de medo de sangrar. Só que ele acaba sendo forçado a ir para a linha de frente de uma operação suicida na Normandia. Ele morre em poucos minutos? Sim. Só que, ao entrar em contato com o sangue de um alienígena raro, ele fica preso em um loop temporal, acordando sempre no mesmo dia, pouco antes da batalha.

A partir daí, a história vira uma mistura genial de sci-fi visceral com a dinâmica de um videogame pesado: morrer, aprender com o erro, renascer e tentar de novo até passar de fase.

Por que a direção de Doug Liman faz a diferença no filme?

Quem comanda essa loucura toda é o diretor Doug Liman (o mesmo cara que entregou o primeiro A Identidade Bourne). O trabalho dele aqui é fantástico porque um filme baseado em repetição de cenas tem tudo para ficar chato. Só que o Liman usa o ritmo, o humor ácido e os cortes de montagem ao seu favor. A gente sente o peso do cansaço e do trauma do protagonista sem jamais perder o ritmo da ação.

O elenco também dá um show à parte. O Tom Cruise manda muito bem ao interpretá-lo não como o herói imbatível de sempre, mas como um covarde assustado que precisa aprender a virar um soldado na marra. E quem rouba a cena de verdade é a Emily Blunt, no papel da lendária guerreira Rita Vrataski (conhecida como a "Anjo de Verdun"). A química entre os dois é pura dinamite em cena. No elenco de apoio, ainda temos nomes de peso como Bill Paxton (em uma de suas últimas grandes atuações no cinema) e Brendan Gleeson.

Para deixar o clima ainda mais imersivo, a produção foi gravada em grande parte na Inglaterra, ocupando as ruas centrais de Londres e os estúdios Leavesden. A famosa cena de pouso nas praias da França transmite uma sensação crua de desembarque militar de alta tecnologia.

Qual é o segredo da trilha sonora e dos efeitos visuais?

A trilha sonora composta por Christophe Beck foca em ritmos pesados e tensão constante, pontuando a urgência do tempo correndo contra os personagens. A música não tenta ser melodramática; ela bate forte no peito, alinhada com o som dos exoesqueletos de metal e das explosões.

Aliás, falando nas armaduras: elas foram construídas fisicamente para as filmagens. Os atores vestiam trajes mecânicos reais que pesavam mais de 35 kg. Nada daquela roupa 100% digital e sem peso. Isso transparece na tela. Dá para sentir o impacto de cada passo e a fadiga física dos atores.

Nas premiações, o longa se destacou bastante no circuito de filmes de gênero. Emily Blunt ganhou o Critics' Choice Award de Melhor Atriz em Filme de Ação, e o filme acumulou várias indicações e prêmios em categorias técnicas, como Melhor Edição no Saturn Awards e Efeitos Visuais.

Quais são as melhores curiosidades dos bastidores?

Separando o joio do trigo, os bastidores dessa produção renderam histórias sensacionais:

·         Inspirado em um livro japonês: O filme é uma adaptação da light novel All You Need Is Kill, escrita por Hiroshi Sakurazaka. A essência da obra original veio da experiência do próprio autor jogando videogame.

·         Acidente de carro real: Durante uma cena de perseguição de carro, Emily Blunt perdeu o controle do veículo e bateu em uma árvore com Tom Cruise no banco do passageiro. Ambos saíram ilesos e rindo da situação.

·         Mudança de título: O filme sofreu nas bilheterias do cinema por conta do marketing bagunçado. Tanto que, para o lançamento em vídeo e streaming, a Warner destacou o slogan "Live Die Repeat" (Viva, Morra, Repita) como se fosse o título principal da obra.

·         Nota dos fãs: A recepção do público se mantém altíssima ao longo dos anos, mantendo uma sólida nota 7,9 no IMDb.

Vale a pena assistir no fim das contas?

A resposta curta é: com certeza. No Limite do Amanhã é um daqueles achados raros do cinema moderno. Ele pega uma premissa que poderia ser batida — a viagem no tempo em formato de loop — e a transforma em um thriller de ação militar inteligente, tenso e com a dose exata de humor.

Não é só tiro e bomba sem graça. O roteiro se preocupa em desenvolver o protagonista, que passa de um covarde marqueteiro a um estrategista calejado. O ritmo não desacelera em nenhum momento das suas quase duas horas de duração.

Se você gosta de uma boa ficção científica, com combates que parecem sair direto de um jogo de tiro na primeira pessoa e uma história que respeita a inteligência de quem assiste, este filme é parada obrigatória. Separa a pipoca, aumenta o som da TV e aproveita a jornada.

 

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