Toy Story 5

 


Confesso que quando a Pixar anunciou que lançaria mais um filme da franquia, fiquei meio desconfiado. Afinal, o encerramento do terceiro filme foi emocionante, e o quarto já parecia ter entregado uma despedida justa para o Woody. Mas basta sentar na poltrona do cinema e ouvir aqueles primeiros acordes para a nostalgia bater forte.

Se você também cresceu acompanhando esses brinquedos ou agora assiste a essa saga ao lado dos seus filhos, prepare o café porque vou te contar exatamente o que achei de Toy Story 5, sem rodeios e direto ao ponto.

Vale a pena assistir Toy Story 5 no cinema?

Lançado em 2026, o longa chegou aos cinemas carregando uma responsabilidade gigante. O título original manteve a simplicidade de sempre, Toy Story 5, mas a proposta da história deu um salto bem contemporâneo. Com uma nota sólida na casa dos 7,8 no IMDb, o filme consegue provar que ainda existe lenha para queimar nesse universo.

A grande sacada aqui é colocar os brinquedos clássicos frente a frente com o maior rival da infância moderna: as telas. O enredo gira em torno de como Woody, Buzz, Jessie e toda a turma precisam lidar com a chegada do Lilypad, um tablet em formato de sapo que se torna o novo xodó da pequena Bonnie.

Para quem já teve que disputar a atenção de uma criança contra um celular ou um tablet, a identificação é imediata. É um conflito honesto sobre como os tempos mudaram e como a imaginação física tem perdido espaço para os algoritmos.

Qual é a história e onde se passa essa nova aventura?

A ambientação do filme expande bastante o universo que conhecemos. A locação principal começa no tradicional e aconchegante quarto da Bonnie, mas logo ganha as ruas da cidade em uma jornada de resgate e adaptação. Há um dinamismo muito legal no contraste entre o cenário doméstico analógico e a estética brilhante e fria dos aparelhos eletrônicos.

A direção ficou nas mãos do veterano Andrew Stanton (co-dirigido por Kenna Harris), o cara que esteve envolvido na escrita dos quatro primeiros filmes e dirigiu clássicos como Procurando Nemo e WALL-E. Dá para sentir a mão firme de quem conhece esses personagens como a palma da própria mão.

No elenco original de vozes, temos o retorno triunfal de lendas como:

·         Tom Hanks como Woody

·         Tim Allen dando vida ao Buzz Lightyear (e a um exército de clones do astronauta)

·         Joan Cusack no papel da destemida Jessie

E as novidades no elenco mandaram muito bem, com destaque para Greta Lee dublando a tablet Lilypad e Conan O'Brien fazendo a voz do divertido brinquedo Smarty Pants.

O que torna a trilha sonora e os bastidores tão especiais?

Não dá para falar de Toy Story sem mencionar a música. A trilha sonora original foi composta mais uma vez pelo mestre Randy Newman. É impressionante como ele consegue resgatar aquele sentimento aconchegante de infância com arranjos de jazz e pianos marcantes. É o décimo trabalho de Newman para a Pixar, e o som dele continua sendo a alma do filme.

Nos bastidores, o filme traz algumas curiosidades sensacionais que enriquecem a experiência:

·         O exército de Buzz: Uma das sequências mais engraçadas envolve 50 unidades do Buzz Lightyear (Multi-Buzz) travadas no modo de demonstração, o que gera uma confusão gigantesca na história.

·         Sem John Lasseter: Este é o primeiro filme principal da franquia sem nenhuma participação do co-criador John Lasseter, deixando Andrew Stanton totalmente à frente da visão narrativa.

·         Legado de Premiações: A franquia Toy Story coleciona estatuetas do Oscar ao longo das décadas, e este quinto capítulo já chegou quebrando recordes de bilheteria e gerando forte burburinho para as premiações da temporada.

Qual é a minha crítica sincera sobre a mensagem do filme?

Como um cara que cresceu assistindo ao primeiro filme em fita VHS e hoje encara os desafios da vida adulta, posso dizer que Toy Story 5 me pegou em um lugar bem específico. O filme não tenta ser apenas uma comédia infantil apelativa; ele trata de temas maduros, como o medo da irrelevância, o papel da tecnologia na criação dos filhos e a transição inevitável das fases da vida.

A animação atinge um nível técnico absurdo nas texturas dos brinquedos — dá para ver a poeira no chapéu do Woody e os arranhões no plástico do Buzz. Mas o que realmente segura a obra é a coragem do roteiro de questionar se o brinquedo físico ainda tem utilidade em um mundo dominado por telas.

O ritmo é ágil, a ação é muito bem construída e o humor funciona tanto para a molecada quanto para os adultos que pegam as piadas mais sutis. Se eu tivesse uma ressalva, seria apenas a quantidade de personagens em cena, o que faz com que alguns favoritos tenham menos tempo de tela. Mas o núcleo principal entrega toda a carga emocional necessária.

No fim das contas, a obra entrega uma reflexão poderosa sobre presença, paternidade e a importância de preservar momentos simples e reais em meio ao caos digital. Vale cada centavo do ingresso e deixa aquela sensação boa no peito de quem reencontrou velhos amigos.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe um comentário sobre o filme e compartilhe com seus amigos.