Se você é fã de cinema de terror, sabe muito bem que a produtora Blumhouse costuma entregar algumas pérolas bem interessantes com orçamentos minúsculos. Mas vamos ser bem sinceros aqui: ninguém acerta sempre. Eu me lembro de quando vi o trailer de Verdade ou Desafio pela primeira vez e pensei que, no mínimo, daria para passar o tempo. Que erro terrível.
Hoje, vou te contar de peito aberto o que deu errado nessa produção que
tinha potencial, mas acabou se tornando um dos maiores micos do gênero nos
últimos anos. Se ajeita aí e vem comigo entender essa bagunça.
O que acontece quando uma brincadeira
de faculdade vira um pesadelo?
A premissa do filme tenta pegar uma brincadeira clássica de infância e
adolescência e transformá-la em uma força demoníaca implacável. A história acompanha um grupo de jovens universitários que decide
passar o último "Spring Break" (as famosas férias de primavera
americanas) no México. Lá, eles conhecem um cara misterioso que os
convida para beber e jogar verdade ou desafio em uma igreja abandonada no meio
do nada.
O
problema começa quando eles voltam para casa e percebem que o jogo os seguiu. A partir daí, a
dinâmica é simples e cruel: se você escolher "verdade" e mentir, você
morre; se escolher "desafio" e não cumprir, você morre; e se tentar
se recusar a jogar... bom, o destino é o mesmo. O grande problema é que a execução
de tudo isso é tão canastrona que o que deveria dar medo acaba gerando risadas
involuntárias.
Quem está por trás de Verdade ou Desafio de 2018?
Lançado
originalmente em 2018 sob o título original de Truth or Dare (ou Blumhouse's
Truth or Dare), o longa foi capitaneado pelo diretor Jeff Wadlow. Se você não liga o
nome à pessoa, ele é o cara por trás de Kick-Ass 2 e, mais
recentemente, daquele desastroso filme da Ilha da Fantasia.
Pois é, o currículo já entrega que sutilidade não é o forte dele.
Para tentar atrair a atenção do público jovem, escalaram um elenco cheio
de rostinhos conhecidos das séries de TV americanas. A protagonista Olivia é vivida
por Lucy Hale (eterna Aria de Pretty Little Liars), acompanhada
por Tyler Posey (o astro de Teen Wolf), além de Violett Beane,
Hayden Szeto e Landon Liboiron.
Apesar do esforço físico dos atores — e do apelo visual do elenco —, a
química entre eles é quase inexistente. A sensação que dá é de que estamos
assistindo a um episódio arrastado de uma série de drama adolescente da CW, só
que com algumas mortes no meio. Atualmente, o filme amarga uma nota
de 5.1/10 no IMDb, o que, para os padrões de terror, já mostra que o
público não engoliu muito bem a proposta.
Onde foi gravado o filme e quais são as
maiores curiosidades?
As filmagens de Verdade ou Desafio aconteceram
principalmente no estado da Califórnia, nos Estados Unidos,
com algumas locações externas pontuais feitas no México (como em
Tijuana e Rosarito) para simular a viagem de férias do grupo. A famosa cena da
igreja abandonada onde o demônio é libertado foi gravada em um set histórico e
poeirento na região de Lancaster, na Califórnia. Toda a produção foi
extremamente rápida, durando pouco mais de 23 dias de filmagens consecutivas.
Mas a maior curiosidade — e provavelmente o elemento mais bizarro do
filme — é o efeito visual usado para mostrar que o demônio do jogo (chamado
Calux) possuiu alguém. Em vez de maquiagem pesada ou possessões clássicas
assustadoras, o diretor decidiu usar um filtro digital que deforma o rosto dos
atores, deixando-os com um sorriso congelado e olhos arregalados de desenho
animado.
Diz a lenda que o diretor Jeff Wadlow teve essa ideia meio que por
acaso, brincando com filtros de redes sociais no celular e desenhando rostos
distorcidos nas fotos dos atores. Na cabeça dele, aquilo era perturbador; na
prática, parece que os personagens foram atingidos por uma overdose de botox ou
estão tentando imitar o Coringa de forma barata.
Por que Verdade ou Desafio é um filme
de terror tão ruim?
Sejamos práticos aqui: um bom filme de terror precisa te deixar tenso,
desconfortável ou, no mínimo, te dar alguns sustos honestos. Verdade ou Desafio falha miseravelmente em todas essas
frentes.
O roteiro é um amontoado de conveniências absurdas e decisões estúpidas.
Os personagens descobrem as regras de uma maldição secular em questão de
minutos usando pesquisas rápidas no Google. A classificação indicativa de 13
anos (PG-13 nos EUA) também jogou contra: quase todas as mortes acontecem de
forma cortada ou sem o impacto visceral que um slasher decente exige. É um
terror "nutella", feito sob medida para não chocar ninguém e faturar
alto nas bilheterias de shopping — o que, infelizmente, funcionou, já que o
filme rendeu quase 100 milhões de dólares pelo mundo.
A revelação final do mistério e a forma como a protagonista decide
resolver o problema são de uma preguiça intelectual inacreditável. O desfecho tenta ser moderno e impactante, mas só deixa um gosto
amargo de tempo perdido. No fim das contas, a obra se apoia inteiramente
em clichês desgastados e diálogos expositivos vergonhosos, onde os personagens
explicam tudo o que estão sentindo ou fazendo como se o espectador não
estivesse prestando atenção.
Se você procura um filme de terror para assistir com os amigos no sábado
à noite apenas para dar risada das atuações ruins e dos efeitos bizarros,
talvez ele até sirva de entretenimento de quinta categoria. Mas se o seu
objetivo é ver um suspense tenso e bem amarrado, passe longe. Esse jogo aqui
não vale o desafio.
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