A Aldeia dos Almadiçoados (Village of the Damned)

 

Sempre fui fã de suspense psicológico, daqueles que preferem mexer com a sua mente em vez de apelar para sustos baratos e sangue jorrando. Foi nessa busca por clássicos que esbarrei em A Aldeia dos Amaldiçoados, do original Village of the Damned. O filme foi lançado em 1960 e traz uma premissa assustadora: e se todas as mulheres de uma pequena cidade ficassem grávidas ao mesmo tempo, misteriosamente, e dessem à luz crianças com habilidades telepáticas e nenhuma empatia? É um terror sci-fi direto ao ponto, britânico até os ossos, e que segura a tensão do começo ao fim.

Como começa a história em A Aldeia dos Amaldiçoados?

A trama se passa na pacata vila fictícia de Midwich. Do nada, todo mundo na cidade apaga por cerca de quatro horas. Animais, moradores, quem tenta entrar no perímetro, tudo cai no chão desacordado. Quando acorda, a rotina parece voltar ao normal, mas dois meses depois surge o baque: todas as mulheres em idade fértil estão grávidas. 

As crianças nascem no mesmo dia, crescem num ritmo bizarro, têm cabelos platinados e olhos que parecem encarar a sua alma. Elas não sentem dor, operam como uma mente coletiva e usam poderes mentais para punir quem tenta atrapalhar os seus planos.

Quem são os nomes por trás desse clássico de 1960?

A direção ficou nas mãos de Wolf Rilla, um diretor de origem alemã que soube trabalhar o silêncio e o clima claustrofóbico como poucos. O elenco principal conta com George Sanders, no papel do Professor Gordon Zellaby, trazendo uma atuação sóbria e impecável de um homem dividido entre o amor paterno e a necessidade de salvar a humanidade. Ao lado dele temos Barbara Shelley como a esposa Anthea, e o jovem Martin Stephens no papel de David, a liderança mirim que dá calafrios de verdade. 

Para a gravação, a produção usou a vila de Letchmore Heath, na Inglaterra, o que deu um tom rural extremamente autêntico e aconchegante ao filme — o contraste perfeito para a bizarrice que acontece ali. A trilha sonora, composta por Ron Goodwin, é pontual e eficiente, mas o destaque fica para o uso inteligente do silêncio, que amplia a tensão.

Vale a pena assistir segundo a crítica e as notas no IMDb?

Com certeza. O filme ostenta uma nota sólida de 7,3 no IMDb e conta com 93% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes. Apesar do orçamento modesto, a obra foi um grande sucesso de público na época e é considerada até hoje um dos pilares da ficção científica e do terror britânico. 

Embora não tenha levado grandes prêmios do circuito comercial ou da Academia na época, o verdadeiro troféu foi a longevidade. O impacto cultural gerou sequências e um famoso remake dirigido por John Carpenter em 1995.

Quais são as melhores curiosidades sobre os bastidores?

·         O roteiro é baseado no livro The Midwich Cuckoos, escrito por John Wyndham em 1957. 

·         Para conseguir o efeito dos olhos brilhantes das crianças quando usavam seus poderes, a equipe aplicou efeitos de iluminação e negativo direto na película. 

·         Diz a lenda que A Aldeia dos Amaldiçoados era um dos filmes favoritos de ninguém menos que Elvis Presley. 

·         O ator mirim Martin Stephens, apesar da pouca idade, entregou uma atuação tão fria e calculista que acabou se tornando a referência definitiva de "criança assustadora" no cinema. 

A minha visão geral sobre a obra é bastante simples: A Aldeia dos Amaldiçoados não precisa de efeitos visuais mirabolantes para ser eficiente. É o tipo de suspense inteligente que aposta no psicológico, na atmosfera e no instinto de sobrevivência. Se você procura um filme curto (são pouco mais de 70 minutos de duração), tenso e direto ao ponto, esse clássico do início dos anos 60 é uma pedida obrigatória no seu catálogo.

 

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