Serenity: A Luta Pelo Amanhã (Serenity)

 

Serenity: A Luta Pelo Amanhã

Sabe aquele tipo de filme que você descobre meio sem querer, abre uma cerveja, senta no sofá sem esperar nada e, quando sobem os créditos, você fica encarando a tela pensando como não assistiu aquilo antes? Foi exatamente o que aconteceu comigo quando esbarrei em Serenity. 

Eu não tinha visto a série Firefly, que deu origem ao longa. Caí de paraquedas nessa aventura espacial com cara de faroeste e fui completamente engolido pela história. É o tipo de ficção científica raiz: pé no chão, nave caindo aos pedaços, tiro, porrada, sarcasmo e um grupo de mercenários que parece a sua turma de amigos do bar, só que no espaço. 

Lançado nos cinemas em 2005 com o título original Serenity, o filme tem uma nota sólida de 7.8 no IMDb. A direção e o roteiro ficaram nas mãos de Joss Whedon, o mesmo cara que anos depois comandaria Os Vingadores. Aqui ele provou que sabia equilibrar ação pesada, diálogos afiados e personagens com moral bem cinzenta.


Como essa nave virou um ícone da ficção científica?

Para entender o impacto da obra, você precisa saber do drama por trás dos bastidores. A série de TV Firefly foi cancelada pela emissora de forma prematura. Só que a base de fãs era tão fanática que comprou DVDs em massa e fez tanto barulho que a Universal Pictures resolveu bancar um filme para fechar a história. 

O elenco junta a galera original da nave: Nathan Fillion brilha demais no papel do Capitão Malcolm Reynolds, um veterano ranzinza, debochado e extremamente leal. Ao lado dele estão Gina Torres (Zoe), Adam Baldwin (o truculento Jayne), Alan Tudyk (Wash), Morena Baccarin (Inara) e Summer Glau como a misteriosa e perigosa River Tam. Chiwetel Ejiofor entra como o vilão sem nome, um assassino frio guiado por ideais, que entrega uma das melhores atuações da carreira. 

As gravações rolaram em locações na Califórnia, como os jardins de Huntington Library e as paisagens desérticas de Anza-Borrego, que deram aquele tom árido e cru de Velho Oeste espacial. Para fechar a atmosfera, a trilha sonora composta por David Newman mistura música orquestral clássica com violões e elementos do country, dando a identidade perfeita para cada cena de tiroteio ou perseguição.

Quais são as curiosidades e prêmios que cercam a produção?

Mesmo sendo um fracasso relativo de bilheteria na época — arrecadou cerca de 40 milhões de dólares para um orçamento de 39 milhões —, o longa virou um cult instantâneo. Ele levou para casa o prestigiado Prêmio Hugo de Melhor Apresentação Dramática em 2006 e o Prêmio Nebula de Melhor Roteiro, provando que a crítica de nicho reconheceu o valor da narrativa. 

Entre as curiosidades mais legais:

·         O elenco e os fãs chamam o longa carinhosamente de BDM (Big Damn Movie), uma piada interna tirada de um dos episódios da série. 

·         Summer Glau treinou artes marciais por meses para fazer quase todas as suas cenas de luta sem dublê. O resultado na tela é absurdo. 

·         O design da nave Serenity foi pensado para ser puramente funcional: sem armas, barulhenta e cheia de gambiarras, exatamente como um caminhão de carga velho rodando pelas estradas. 

Por que a jornada do Capitão Mal funciona tão bem?

O grande trunfo do filme é a postura do seu protagonista. Malcolm Reynolds não é o herói perfeito de capa e espada. Ele é um cara duramente testado pela vida, cínico, pragmático, que comete erros, mas protege os seus até o fim. Ele luta não por grandes ideais abstratos, mas por sobrevivência e liberdade. 

A trama pega fogo quando a tripulação descobre um segredo sombrio do governo da Aliança sobre a origem dos Reavers — corsários canibais e insanos que aterrorizam a galáxia. A partir daí, o filme vira uma corrida contra o tempo onde a honra de falar a verdade ao mundo fala mais alto do que o medo de morrer. É uma aula de como construir tensão sem perder o bom humor.

Vale a pena assistir hoje em dia?

Com certeza. O filme envelheceu incrivelmente bem porque dependia mais de bons diálogos, efeitos práticos e construção de personagens do que de computação gráfica exagerada. As cenas de combate corpo a corpo têm peso, as batalhas no espaço parecem perigosas e o ritmo não desacelera. 

É uma obra direta, justa e sem enrolação. Se você curte histórias sobre caras comuns enfrentando sistemas gigantescos, naves espaciais com alma e combates bem desenhados, coloque Serenity na sua lista no próximo fim de semana. Você não vai se arrepender.

 

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