Sabe aquele tipo de filme que todo mundo na internet jura que é uma obra-prima intocável, mas quando você senta para assistir, a experiência não encaixa tão bem? Foi exatamente o que aconteceu comigo quando resolvi encarar O Enigma de Outro Mundo.
Compreendo perfeitamente
o peso da obra no cinema de ficção científica e a atmosfera isolada que o
diretor construiu.
Mesmo assim, vale analisar a fundo o que faz esse clássico dividir opiniões até hoje.
Qual
é o contexto e a história de O Enigma de Outro Mundo?
Lançado no mercado com o
título original The Thing, o filme chegou aos cinemas em 1982 sob a direção do mestre do terror John Carpenter.
O clima de paranoia é o
ponto alto.
O elenco conta com nomes de peso da época:
· Kurt Russell como o piloto de helicóptero R.J. MacReady
· Keith David interpretando Childs
· A. Wilford Brimley no papel do biólogo Dr. Blair
· Richard Dysart, Donald Moffat e Charles Hallahan em papéis de suporte cruciais para a dinâmica do grupo.
Para recriar a imensidão congelada da Antártica, as filmagens externas foram rodadas em locações geladas perto de Juneau, no Alasca, e na geleira Salmon Glacier, na Colúmbia Britânica (Canadá). As cenas internas foram gravadas em estúdios refrigerados em Los Angeles para que a respiração dos atores saísse de verdade nas filmagens.
A trilha sonora minimalista e tensa foi composta pelo lendário Ennio Morricone, trazendo um pulso eletrônico marcante que dita o tom de suspense do início ao fim.
Por
que os monstros e efeitos visuais geram tanta divisão?
Aqui está o meu maior ponto de desapontamento com a obra. Os efeitos práticos foram criados por Rob Bottin, um gênio da maquiagem e animatrônicos. Na teoria, a ideia de uma criatura amorfa que se deforma em tentáculos, cabeças grotescas com pernas de aranha e bocas no meio do tórax é incrível. Na prática, achei o resultado esteticamente exagerado e meio "massento".
Em vários momentos, a aparência grotesca do alienígena me pareceu artificial demais, lembrando esculturas de látex que acabam quebrando a imersão. Entendo o esforço braçal da equipe da época para criar tudo sem computação gráfica, mas o visual escatológico dos monstros simplesmente não me agradou. Para quem busca um suspense mais psicológico, o exagero da criatura acaba pesando negativamente.
Quais
são as melhores curiosidades e premiações do filme?
Apesar do status de culto que tem hoje, a trajetória do filme nos cinemas não foi nada fácil.
· Fracasso de bilheteria inicial: O filme estreou poucas semanas depois de E.T. - O Extraterrestre. O público da época queria ver um alienígena simpático e amigável, e a visão sombria e violenta de Carpenter acabou caindo mal nas bilheterias.
· Afastado das premiações: Por conta da recepção fria na época, o filme não levou prêmios expressivos no Oscar ou no Globo de Ouro. Ele chegou a ser indicado ao Razzie Awards (Samambaia de Ouro) na categoria de Pior Trilha Sonora — uma ironia enorme, já que a música de Morricone hoje é considerada um clássico.
· Segredo nos bastidores: O diretor John Carpenter gravou a cena do teste de sangue sem contar para os atores quem realmente estava infectado no roteiro daquele momento, para manter a reação de surpresa e a tensão autênticas.
Qual é a crítica
final sobre a experiência de assistir The Thing?
The Thing é, sem dúvidas, uma obra técnica marcante na história do cinema de ficção científica. O clima claustrofóbico na base militar, o isolamento no gelo e a sensação constante de desconfiança entre os homens da equipe são executados de forma impecável. É um filme direto, sem enrolação e focado na sobrevivência bruta.
Porém, o visual das aberrações
alienígenas não me pegou. Se você prefere criaturas com um apavoramento mais
sutil ou efeitos mais polidos, a aparência dos monstros aqui pode parecer um
pouco datada e exagerada. Não deixa de ser um clássico dos anos 80, mas é um
daqueles casos em que a fama do filme pode criar uma expectativa diferente do
resultado final na tela.
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