2073

 


O que torna a ficção científica de 2073 tão perturbadora?
 

Você já assistiu a um filme e sentiu aquele aperto incômodo no peito, percebendo que o futuro sombrio da tela está mais perto da nossa realidade do que gostaríamos? Foi exatamente isso que senti quando parei para ver 2073. Lançado em 2024, o longa não é só mais uma ficção científica futurista sobre o fim dos tempos. Ele mistura cinema, documentário e um aviso urgente sobre para onde estamos caminhando. O projeto tem a direção do aclamado cineasta britânico Asif Kapadia, famoso por seus documentários premiados, e traz no elenco nomes como Samantha Morton, Naomi Ackie e Hector Hewer. 

Na trama, acompanhamos um futuro distópico no ano de 2073, onde o mundo foi devastado pelas mudanças climáticas, pela vigilância em massa e pela ascensão do autoritarismo tecnológico. A história foca em Ghost, uma sobrevivente que vive escondida nos escombros de uma Nova York militarizada e em ruínas. As locações na cidade americana capturam com perfeição essa sensação de desolação urbana. Atualmente, o filme ostenta uma nota 6.2 no IMDb, refletindo como a obra divide opiniões por conta da sua estrutura nada convencional. 

Por que a direção de Asif Kapadia faz tanta diferença aqui? 

A grande sacada da obra é a forma como o diretor constrói a narrativa. Em vez de entregar apenas uma história de ficção com efeitos especiais mirabolantes, o cineasta usa filmagens de arquivo reais e entrevistas para conectar os problemas de hoje ao desastre de amanhã. A trilha sonora, pontuada por composições tensas e barulhos industriais, ajuda a criar um clima de paranoia constante. Você se sente na pele de quem está tentando apenas sobreviver mais um dia em um ambiente hostil. 

Entre as curiosidades da produção, destaca-se o fato de o filme ter sido inspirado no clássico curta-metragem francês La Jetée (1962), de Chris Marker — a mesma obra que inspirou Os 12 Macacos. O longa fez sua estreia no prestigiado Festival de Cinema de Veneza e circulou por diversos festivais internacionais, acumulando elogios pela coragem de misturar linguagem documental com narrativa de ficção científica. 

Vale a pena assistir a essa mistura de ficção com realidade? 

Minha crítica direta ao filme é que ele não busca te entreter de forma leve. 2073 é desconfortável por opção. O ritmo pode causar certo estranhamento no começo, já que a transição entre as cenas dramatizadas pela Samantha Morton e as imagens reais de arquivo é bastante brusca. Por outro lado, essa escolha visual traz um peso enorme para a história. Não se trata de uma ameaça alienígena ou de robôs gigantes, mas sim das consequências diretas das escolhas que a humanidade está fazendo agora. 

Para quem gosta de produções que provocam e deixam a cabeça martelando depois que os créditos rolam, a experiência compensa demais. Ele pega no colarinho do espectador e mostra que o futuro não é um mistério distante, mas algo que estamos construindo neste exato momento. 

Onde você pode encontrar mensagens parecidas no cinema atual? 

Se você curtiu a proposta reflexiva da obra, vale a pena buscar outros títulos que usam a ficção científica como espelho da sociedade. Filhos da Esperança e O Livro de Eli seguem essa mesma linha de sobrevivência em cenários devastados, mantendo o pé no chão e o foco na atitude humana diante do caos. 

No fim das contas, a produção entrega uma reflexão sobre liberdade, tecnologia e o impacto do homem no planeta. É o tipo de filme que vale assistir em um fim de semana calmo, de preferência acompanhado, para trocar uma ideia sincera sobre o que acabou de ver. E você, já conhecia o título ou ficou curioso para conferir essa visão do futuro?

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