Amor, Sublime Amor (West Side Story)


Eu preciso ser sincero com você: eu não sou nem de longe o maior fã de musicais. Aquela coisa de ver a galera no meio da rua quebrando o ritmo da conversa pra sair dançando e cantando nunca fez muito o meu estilo. Mas quando a gente se propõe a analisar o cinema de verdade, não dá pra ignorar os gigantes. E foi exatamente por isso, para trazer um conteúdo de peso aqui pro blog, que eu decidi sentar e assistir a esse clássico absoluto chamado Amor, Sublime Amor (ou West Side Story, no título original). 

Mesmo não sendo a minha praia, preciso tirar o chapéu. A gente reconhece uma obra-prima pelo nível da execução, e a engenharia por trás desse filme é sacanagem de tão bem feita.

Como surgiu a ideia desse clássico "Amor, Sublime Amor"?

Para entender o impacto da obra, a gente precisa voltar no tempo. O filme foi lançado em 1961 e não surgiu do nada. Ele é uma adaptação direta de um musical de enorme sucesso da Broadway de 1957, que por sua vez trazia uma releitura moderna e urbana da tragédia clássica de Romeu e Julieta, de William Shakespeare. 

A direção ficou nas mãos de uma dupla de peso: Jerome Robbins, que cuidou de toda a concepção das coreografias, e Robert Wise, um diretor experiente que garantiu a linguagem cinematográfica da produção. A história se passa em Manhattan, nas ruas de uma Nova York em plena transformação nos anos 50. Eles usaram locações reais do Upper West Side (área que estava prestes a ser demolida para a construção do Lincoln Center) misturadas com cenários de estúdio impecáveis. Essa combinação deu um tom de realismo e crudeza urbana que contrasta muito bem com a teatralidade das cenas.

Qual é a história e quem faz parte do elenco?

A trama nos coloca no meio de uma guerra de gangues pelo controle do bairro. De um lado estão os Jets, formados por jovens brancos norte-americanos. Do outro, os Sharks, imigrantes porto-riquenhos tentando encontrar o seu espaço. A tensão escala quando Tony, ex-membro dos Jets, se apaixona por Maria, irmã do líder dos Sharks. 

O elenco entrega performances intensas para dar conta da exigência física e dramática do roteiro:

·         Richard Beymer como Tony 

·         Natalie Wood como Maria 

·         George Chakiris como Bernardo (o líder dos Sharks) 

·         Rita Moreno como Anita 

·         Russ Tamblyn como Riff (o líder dos Jets) 

A trilha sonora composta pelo mestre Leonard Bernstein, com letras de Stephen Sondheim, é um capítulo à parte. Músicas como Tonight, Maria e America não servem só de fundo, elas movem o roteiro. A nota no IMDb fica firme na casa dos 7,9/10, o que mostra como o público respeita o longa até hoje.

Quais prêmios e curiosidades marcaram a produção?

Se você busca números e feitos históricos, esse filme dá uma aula. No Oscar de 1962, ele simplesmente varreu a cerimônia: foi indicado a 11 categorias e levou 10 estatuetas para casa, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhores Atores Coadjuvantes para George Chakiris e Rita Moreno. Até hoje é o musical mais premiado da história da academia. 

Nos bastidores, o clima também era curioso:

·         Conflito de diretores: Jerome Robbins era tão perfeccionista e rigoroso com os dançarinos que acabou demitido no meio das filmagens por estourar o orçamento e o tempo. Robert Wise assumiu e finalizou o longa sozinho. 

·         Dublagem nas músicas: Apesar de Natalie Wood ser a grande estrela como Maria, a voz dela nas músicas foi quase totalmente dublada pela cantora Marni Nixon, algo muito comum na época mas que foi mantido em segredo durante o lançamento. 

·         Tensão real: Para manter a rivalidade forte na tela, os atores que faziam os Jets e os Sharks eram orientados a não se misturar nem durante os intervalos do almoço. 

Vale a pena assistir mesmo se você não gosta de musicais?

A resposta curta é: sim, sem dúvida. O grande mérito do filme é que ele não usa a dança como um mero enfeite estético. A movimentação dos atores funciona como uma extensão da própria violência e do conflito físico. Quando os caras estão se enfrentando, a coreografia passa a sensação de briga de rua de verdade, só que ritmada. Tem energia, tem tensão e tem atitude. 

Além disso, os temas centrais do filme — como preconceito, rivalidade territorial, o drama da imigração e a busca por pertencimento — continuam extremamente atuais. O trabalho de fotografia, o uso visceral das cores nos figurinos para diferenciar as gangues e a montagem das cenas mostram um nível de técnica que impressiona qualquer um que goste da sétima arte. 

No fim das contas, eu posso continuar não sendo o maior fã de gente cantando na rua, mas é impossível não reconhecer a genialidade do que foi feito aqui. É um clássico por um motivo muito claro: cinema de altíssimo nível executado por mestres.

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