Tropas Estelares (Starship Troopers)

 


Eu lembro exatamente de quando assisti Tropas Estelares pela primeira vez, foi no ano de nascimento do meu filho, 1998. Para mim, era apenas um filme de ação insano com robôs, naves, tiros para todos os lados e insetos gigantes sendo fuzilados. O puro entretenimento pipoca dos anos 90. Mas, conforme fui ficando mais velho e reassisti essa obra, percebi o quanto ela é genial.
 

Lançado em 1997, o longa dirigido pelo mestre Paul Verhoeven é muito mais do que aparenta ser. Trata-se de uma sátira afiada sobre o militarismo, o fascismo e a propaganda de guerra, tudo disfarçado de blockbuster de ficção científica. Hoje, mantenho essa fita (ou melhor, o arquivo em 4K) em um lugar especial na minha estante.

Por que Tropas Estelares se tornou um clássico da ficção científica?

O grande trunfo do filme é a coragem de entregar uma crítica ácida embrulhada em uma embalagem de ação frenética. O título original, Starship Troopers, foi adaptado do livro homônimo de Robert A. Heinlein de 1959. Só que, enquanto o romance original levava a sério certas ideias militaristas, Verhoeven pegou esse conceito e o virou pelo avesso, transformando a história em uma paródia inteligente dos comerciais e da mentalidade militarista. 

Com uma nota sólida de 7,3 no IMDb, o longa acompanha a trajetória de Johnny Rico (interpretado por Casper Van Dien), um jovem que se alista na Infantaria Móvel para impressionar sua namorada e acaba no meio de uma guerra brutal no espaço contra uma raça de Aracnídeos. O elenco ainda conta com Denise Richards (Carmen Ibanez), Dina Meyer (Dizzy Flores), Neil Patrick Harris (Carl Jenkins) e o lendário Michael Ironside como o durão Tenente Rasczak.

Onde foram feitas as filmagens de Tropas Estelares?

Para criar os cenários dos planetas alienígenas hostis como Klendathu e Tango Urilla, a produção não economizou nas locações. Grande parte das batalhas em solo rochoso foi gravada em Hell's Half Acre, no estado do Wyoming, nos Estados Unidos. O local, com suas formações rochosas desérticas e brutais, deu um tom tático e realista espetacular para o confronto contra os insetos. 

Já a trilha sonora foi composta pelo mestre Basil Poledouris (o mesmo de Conan, o Bárbaro e RoboCop). A música do filme é intencionalmente épica e triunfante, reforçando a estética de "comercial de recrutamento" que o diretor queria passar. Quando a trombeta toca e a marcha militar começa, você se pega quase querendo se alistar junto com os personagens.

Quais premiações e curiosidades marcam o filme?

Mesmo dividindo a crítica na época do seu lançamento — muitos não entenderam a sátira e acharam que o filme promovia o que na verdade criticava —, a obra teve um reconhecimento técnico gigante.

·         Premiações: O filme foi indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 1998. Os efeitos computadorizados combinados com maquetes e animatrônicos continuam incrivelmente bem preservados até hoje, superando muitas produções atuais. 

·         Diretor sem ler o livro: Paul Verhoeven admitiu em entrevistas que tentou ler o romance original de Heinlein, mas achou a leitura chata e militarista demais, preferindo focar na sátira. 

·         Cena do chuveiro: A famosa cena coletiva no chuveiro dos recrutas, que passava a ideia de uma sociedade que neutralizou a sexualidade em prol do dever militar, só foi gravada porque o próprio diretor e o diretor de fotografia aceitaram ficar nus no set para deixar o elenco à vontade. 

·         Projeção tática: O visual dos uniformes e comerciais de TV do filme serviram de inspiração direta para dezenas de jogos de videogame modernos, como o sucesso Helldivers. 

Como o tempo transformou a crítica sobre a obra?

Minha leitura atual de Tropas Estelares é muito mais profunda do que quando eu tinha 32 anos. Na época, a violência visceral e as batalhas com jorros de sangue alienígena eram o grande atrativo. Hoje, vejo a obra como um aviso brilhante sobre a propaganda, a perda da individualidade e o perigo de se criar um inimigo supremo para manter uma sociedade sob controle. 

Verhoeven fez um filme de ação definitivo, cheio de testosterona, bravura e cenas de combate intensas, mas sem cair na armadilha de glorificar a guerra. Ele nos diverte enquanto escancara o quão absurdo é aquele universo. Se faz tempo que você não assiste, recomendo reunir os amigos, pegar a pipoca e dar o play de novo. É cinema inteligente na medida certa.

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