Sabe aquele tipo de filme que te faz segurar a respiração na sala de estar a ponto de você ficar com receio de pegar a pipoca? Foi exatamente assim que me senti quando sentei para assistir Um Lugar Silencioso Parte 2 (no original, A Quiet Place Part II). Se você, assim como eu, vibrou com a tensão do primeiro longa lançado lá em 2018, já te adianto sem enrolação: a sequência é indispensável.
Comandado novamente por John Krasinski na direção e roteiro, o filme chegou aos cinemas no primeiro semestre
de 2021 (após ser adiado em 2020) e ostenta uma respeitável nota 7.2 no IMDb.
Rodado em locações reais
no oeste do estado de Nova York — com tomadas impressionantes em cenários
industriais abandonados e trilhos de trem —, o filme usa a ambientação física
para dar um tom cru e palpável ao perigo.
Qual é a história de Um Lugar Silencioso Parte 2?
A trama começa exatamente de onde o primeiro filme parou, mas não sem antes nos dar um prólogo espetacular sobre o "Dia 1", mostrando a chegada das criaturas cegas de audição apurada. Ver a rotina de uma cidadezinha pacata ser estraçalhada em minutos estabelece o tom da jornada.
Logo em seguida, voltamos ao
presente. A família Abbott precisa abandonar a segurança da fazenda queimada e
se aventurar pelo desconhecido em busca de abrigo e outros sobreviventes.
O que torna a sequência tão imperdível quanto o
primeiro filme?
O grande trunfo desta
continuação é que ela não se acomoda na fórmula da casa isolada. Krasinski coloca os personagens em movimento.
A jovem Millicent Simmonds assume o protagonismo moral da história de maneira brilhante. A atuação dela, aliada ao uso do áudio sob a perspectiva de sua surdez, cria sequências de suspense de dar nó no estômago. Quem gostou do primeiro precisa ver este porque a história simplesmente não está completa sem essa transição de bastão entre pai e filha.
Quais curiosidades e prêmios marcam esta
produção?
A produção não passou despercebida pela crítica especializada, conquistando prêmios expressivos. O filme venceu o Critics' Choice Super Award de Melhor Filme de Horror, e a atuação de Cillian Murphy e Millicent Simmonds garantiu indicações e prêmios de interpretação em festivais como o Hollywood Critics Association. Além disso, a obra recebeu uma prestigiada indicação ao BAFTA na categoria de Melhor Som.
Nos bastidores, uma curiosidade bacana é que John Krasinski gravou a impressionante cena do ônibus no prólogo sem recorrer a grandes efeitos de computação gráfica para o veículo: o ônibus de verdade avançava em alta velocidade em direção à câmera controlada pela equipe de dublês. Outro detalhe importante é a entrega de Cillian Murphy, que aceitou o papel após enviar uma carta de fã para o casal Krasinski/Blunt elogiando o primeiro filme, sem saber que eles já pensavam nele para a sequência.
Vale a pena assistir até o fim?
Sem dúvidas. Minha crítica ao filme é extremamente positiva porque ele cumpre tudo
o que promete com pé no chão e sem enrolação.
O longa mostra que a maior
ameaça em um apocalipse nem sempre são os monstros que caçam pelo som, mas a
perda da humanidade das pessoas que sobraram. Se você procura um cinema de
entretenimento inteligente, bem dirigido e que respeita o espectador do início
ao fim, pode dar o play sem medo. É uma aula de como construir tensão de
verdade.
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