Um Lugar Silencioso: Dia Um (A Quiet Place: day One)

 


Se tem uma coisa que me pegou enquanto eu assistia a Um Lugar Silencioso: Dia Um (A Quiet Place: Day One), foi o seguinte pensamento: cara, por que o exército não montou uma base e começou a bombardear tudo com som alto pra atrair os bichos e explodir a infestação inteira? E mais: na vida real, quem sofre de apneia e ronca pesado provavelmente foi para o saco na primeira noite. Pensando nessas viagens, sentei para analisar o terceiro filme desse universo.

Como tudo começou no caos de Nova York?

Lançado nos cinemas em 2024, o longa nos joga direto no marco zero do apocalipse alienígena. Em vez daquela rotina rural do primeiro filme, aqui a gente acompanha o caos na cidade mais barulhenta do mundo: Nova York. 

A protagonista é a Samira, interpretada sensacionalmente pela Lupita Nyong'o, uma mulher enfrentando um câncer terminal que só quer realizar um último desejo simples: comer uma fatia de pizza em Harlem. Ao lado do seu gato Frodo e de Eric, um estudante de direito britânico vivido pelo Joseph Quinn (o Eddie Munson de Stranger Things), ela tenta sobreviver ao massacre em massa enquanto a sociedade desmorona em poucas horas. O elenco ainda conta com o ótimo Djimon Hounsou, reprisando seu papel do segundo filme.

Quem está por trás da direção e da produção?

Diferente dos dois primeiros longas, dirigidos por John Krasinski, quem assumiu o comando aqui foi o diretor Michael Sarnoski (famoso pelo excelente drama Pig). Krasinski continuou no projeto como produtor e idealizador da história ao lado de Sarnoski. 

Apesar da trama se passar no meio do asfalto de Manhattan, grande parte do filme foi gravada em estúdios perto de Londres, na Inglaterra, recriando as ruas novaiorquinas de forma impecável. Com uma nota que gira em torno de 6.9 no IMDb, o filme entrega exatamente o que promete em termos de tensão, mas foca muito mais na jornada humana e psicológica do que na ação desenfreada.

A trilha sonora e os prêmios valem o destaque?

A trilha sonora assinada por Alexis Grapsas faz um trabalho de mestre. Ela usa o silêncio de forma inteligente e pontua os momentos de puro pavor sem sufocar a experiência. O destaque musical vai para o uso poético da música Feeling Good, na voz inconfundível de Nina Simone, que se conecta perfeitamente com o sentimento de resignação e liberdade da protagonista. 

No quesito premiações, a obra conquistou destaque em eventos focados em cinema de gênero, como o Astra Midseason Movie Awards, onde venceu na categoria de Melhor Filme de Terror, além de ter rendido indicações pelo excelente trabalho de som e pela performance marcante da Lupita. Curiosamente, o gato Frodo (interpretado pelos gatos Nico e Schnitzel) chegou a ganhar prêmio de melhor atuação animal no Las Vegas Film Critics Society!

Qual é o meu veredito sobre essa experiência?

Muitos esperavam um filme de guerra explícito, recheado de militares trocando tiro com aliens. Eu mesmo me perguntei por que as forças armadas não usaram caminhões de som como amarrações de emboscada. No entanto, o roteiro escolheu um caminho mais íntimo e maduro. 

A química entre os dois protagonistas funciona demais. O filme consegue criar um contraste sinistro entre o barulho ensurdecedor da metrópole no início e o silêncio sepulcral que toma conta das ruas logo em seguida. É uma obra sólida, que faz jus ao universo da franquia e mostra que, no fim das contas, a conexão humana ainda é a nossa maior arma contra o desespero. Se você busca um suspense inteligente com ótimas atuações, pode dar o play sem medo.

 

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