Se você viveu o final dos anos 90, com certeza se lembra da revolução que foi o cinema de animação. Naquela época, eu era dono de locadora e vivia cercado de fitas por todos os lados. Quando a fita VHS de Vida de Inseto chegou na loja, confesso que coloquei para rodar no videocassete sem grandes expectativas, achando que seria só mais um desenho para distrair as crianças no fim de semana. Grande engano. Fiquei preso na frente da TV do balcão do início ao fim, impressionado com o nível de detalhe e com a história que parecia falar diretamente com a gente.
Hoje, olhando para
trás, fica claro como esse filme marcou uma era. Neste texto, quero trocar uma
ideia com você sobre essa obra-prima, relembrar os detalhes que fizeram dela um
sucesso e analisar por que ela continua tão atual e divertida.
Qual é a história e o
contexto original de Vida de Inseto?
Lançado em 1998, Vida de
Inseto (A Bug's
Life, no título original) foi o segundo longa-metragem da Pixar,
vindo logo após o fenômeno Toy Story.
A responsabilidade era gigantesca, mas a equipe deu conta do recado com
maestria.
A trama acompanha
Flik, uma formiga cheia de ideias mirabolantes que vive arrumando confusão no
seu formigueiro. Sem querer, ele destrói a oferenda de grãos reservada para um
bando de gafanhotos tiranos liderados pelo temível Hopper. Para tentar se
redimir e salvar sua colônia, Flik sai pelo mundo em busca de "insetos
guerreiros" para combater a ameaça. O problema é que ele acaba
contratando, por engano, um grupo de artistas de circo fracassados.
O resultado é uma
narrativa leve, inteligente e cheia de ritmo, que prende do começo ao fim sem
precisar de malabarismos complexos.
Quem fez a magia
acontecer por trás das câmeras?
A direção ficou nas
mãos de John Lasseter (que já tinha brilhado em Toy Story) e Andrew Stanton, dois nomes gigantes que sabiam
exatamente como emocionar o público de todas as idades.
No elenco de dublagem
original, temos nomes de peso como:
·
Dave Foley
dando voz ao sonhador Flik;
·
Kevin Spacey entregando uma dublagem sensacional e intimidadora como o vilão
Hopper;
·
Julia Louis-Dreyfus como a Princesa Atta;
·
Hayden Panettiere como a pequena e corajosa Dot.
Vale um destaque
super merecido para a trilha
sonora composta por Randy Newman. As músicas casam perfeitamente com
a jornada do herói, trazendo aquele clima épico de aventura, mas sem perder a
leveza e a graça. O trabalho foi tão bem feito que garantiu ao filme uma
indicação ao Oscar de Melhor Trilha Sonora Original.
Quais foram os
bastidores e as curiosidades marcantes do filme?
Na época em que
assisti na locadora, a qualidade da animação parecia coisa de outro mundo, e
não era para menos. A equipe da Pixar se desdobrou para criar o ecossistema dos
insetos de um ângulo totalmente diferente.
Aqui estão algumas
curiosidades bem legais sobre a produção:
·
Inspiração clássica: A história é abertamente inspirada na fábula A Cigarra e a Formiga e no clássico filme de
faroeste/samurai Os Sete
Samurais, de Akira Kurosawa.
·
Locação e perspectiva: Para entender como o mundo parecia para uma formiga, os
animadores criaram pequenas câmeras preso em carrinhos e filmavam a grama de
baixo para cima. Isso ajudou a dar aquele visual realista às folhas e gotas de
chuva.
·
Guerra dos Insetos: O filme foi lançado em uma disputa ferrenha com FormiguinhaZ, da DreamWorks, que saiu nos cinemas na
mesma época. Mesmo com a concorrência pesada, Vida de Inseto se destacou e foi um estrondo de
bilheteria.
·
Abertura histórica: Foi o primeiro filme da Pixar a incluir os famintos
"erros de gravação" animados durante os créditos finais, algo que
virou marca registrada e tirava gargalhadas de todo mundo.
Atualmente, o filme
ostenta uma nota 7.2 no IMDb, mantendo-se firme como um dos
favoritos de quem cresceu nos anos 90 e 2000.
Por que Vida de
Inseto continua sendo uma grande crítica social e um clássico?
Quando assisti na
fita VHS lá atrás, vi uma comédia de aventura excelente. Hoje, revendo com
outros olhos, percebo o quanto a mensagem do filme é poderosa e atual.
O grande trunfo da
narrativa está na metáfora sobre união, liderança e superação do medo. O vilão
Hopper sabe muito bem do que fala quando solta uma das frases mais emblemáticas
do cinema de animação: "Uma
formiga não é nada, mas se todas se unirem, nós perdemos o controle".
É uma aula simples e direta sobre como a maioria, quando se organiza e perde o
medo, tem a força para mudar qualquer cenário opressor.
Além disso, Flik
representa aquele sujeito obstinado, que erra tentando acertar, mas não desiste
quando as coisas dão errado. Ele é o cara comum que usa a criatividade e a
coragem no lugar da força bruta.
Com visual impecável,
personagens extremamente simpáticos (é impossível não se afeiçoar à lagarta
Chucrute) e um roteiro sem gorduras, Vida de Inseto provou que animação em computação
gráfica veio para ficar e que histórias bem contadas nunca perdem o prazo de
validade. É o tipo de filme que envelheceu como bom vinho e continua valendo
cada minuto da sua sessão pipoca.
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