Coringa (Joker)

 


Se você é daquele tipo de cara que curte cinema cru, sem enrolação e que te pega pelo colarinho do começo ao fim, precisa entender o que aconteceu quando Coringa (Joker) chegou às telas.

Quando sentei para assistir a esse filme pela primeira vez, esperava mais uma história genérica de quadrinhos. O que recebi foi um soco no estômago — no melhor sentido possível. É aquele tipo de obra que faz você terminar a sessão em silêncio, processando cada cena enquanto os créditos sobem.

Qual é a origem desse impacto no cinema?

Lançado em 2019, com o título original Joker, o longa não quis saber de efeitos especiais mirabolantes ou heróis salvando o dia. O diretor Todd Phillips — que muita gente conhecia apenas por comédias como Se Beber, Não Case! — surpreendeu ao entregar um estudo de personagem sombrio e extremamente visceral.

O filme conta com nota 8.4 no IMDb (mantendo-se no top das maiores avaliações da plataforma) e se passa numa Gotham City decrépita dos anos 1980. Na prática, Nova York e Nova Jersey serviram de locação para construir aquela atmosfera suja, fria e opressiva que sufoca o protagonista a cada segundo.

No centro de tudo está Arthur Fleck, vivido por Joaquin Phoenix em uma das atuações mais impressionantes do cinema recente. O elenco ainda traz nomes de peso como Robert De Niro (no papel do apresentador Murray Franklin), Zazie Beetz e Frances Conroy.

Por que a atuação e a trilha sonora impressionam tanto?

Não dá para falar de Coringa sem destacar o trabalho monstruoso de Joaquin Phoenix. O cara perdeu mais de 20 quilos para o papel, ficando com uma aparência franzina e perturbadora que traduz perfeitamente o esgotamento físico e mental do personagem.

Outro ponto fundamental é a trilha sonora original, composta pela violoncelista islandesa Hildur Guðnadóttir. As notas de violoncelo são pesadas, lentas e parecem ecoar direto na cabeça de quem assiste. A música não serve apenas como fundo; ela guia a transformação gradual de Arthur Fleck em Coringa, tornando cada passo dessa ruína algo quase palpável.

Quais prêmios e curiosidades marcam o longa?

O reconhecimento do público e da crítica veio em peso. O filme não só ultrapassou a marca de 1 bilhão de dólares na bilheteria mundial — tornando-se o primeiro filme com classificação indicativa alta a conquistar esse feito —, como também dominou a temporada de prêmios.

Entre os principais destaques, Coringa venceu:

·         Oscar de Melhor Ator para Joaquin Phoenix.

·         Oscar de Melhor Trilha Sonora Original para Hildur Guðnadóttir.

·         Leão de Ouro no prestigiado Festival de Cinema de Veneza.

Nas curiosidades de bastidores, vale destacar que a famosa cena em que Arthur dança no banheiro após um evento traumático não estava escrita dessa forma no roteiro. Foi uma improvisação pura de Phoenix ao ouvir a música da compositora no set. Além disso, as escadas localizadas no Bronx, em Nova York, onde o personagem dança ao som de Rock and Roll Part 2, viraram ponto turístico mundial após o lançamento.

Vale a pena assistir a essa interpretação do vilão?

A minha análise da obra é direta: Coringa é um filme necessário porque não facilita as coisas para o espectador. Ele aborda a solidão, o descaso social com a saúde mental e o ponto de ruptura de um homem comum esmagado por uma cidade hostil.

Não é um filme de ação convencional. É um suspense psicológico pesado, focado na jornada de decadência de um indivíduo que descobre que a tragédia da sua vida, na verdade, é uma comédia de mau gosto. A direção de arte, a fotografia de tons quentes e sombrios e o ritmo cadenciado fazem da obra um clássico moderno que merece ser visto e revisto com atenção.

 

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