Frankenstein

 


Sempre que eu sento para rever os clássicos de horror que moldaram a cultura pop, Frankenstein (1931) me salta aos olhos. A adaptação do romance imortal de Mary Shelley é até hoje a maior referência quando pensamos em cientistas obstinados e criaturas incompreendidas. 

Não estamos falando apenas de um filme preto e branco antigo; trata-se do molde definitivo para o gênero de ficção científica e terror no cinema.

Por que Frankenstein de 1931 marcou a história do cinema?

A obra foi lançada no dia 21 de novembro de 1931 pelos estúdios da Universal Pictures, logo no início da era do cinema falado. Ela é comandada pelo lendário diretor inglês James Whale, que trouxe uma visão teatral, sombria e ao mesmo tempo incrivelmente sensível para as telas. 

Atualmente, o filme ostenta uma nota 7,8 no IMDb, o que reflete seu impacto duradouro mesmo quase um século após a estreia. O enredo acompanha o Dr. Henry Frankenstein em sua obsessão em superar os limites da morte e dar vida a um ser composto por partes de cadáveres. Quando a criatura desperta, o experimento foge do controle por pura ignorância e rejeição do mundo ao redor.

Como o elenco e os bastidores deram vida à criatura?

No papel do cientista obstinado temos Colin Clive, que entrega uma atuação memorável. O elenco principal ainda traz Mae Clarke no papel de Elizabeth e Dwight Frye como o icônico assistente Fritz. 

Mas quem rouba o espetáculo de forma arrebatadora é Boris Karloff interpretando a Criatura. O mais curioso é que nos créditos iniciais o nome de Karloff nem apareceu; o monstro foi creditado apenas com uma interrogação, gerando um mistério absurdo no público da época. 

Os bastidores foram insanos. O filme não teve gravações externas na Europa; tudo foi filmado nos sets do Universal Studios em Hollywood. A maquiagem antológica de Jack Pierce levava cerca de quatro horas diárias para ser aplicada na cabeça e no pescoço de Karloff, usando algodão, colódio e parafusos pesados. 

Outro ponto técnico brilhante é a escolha de James Whale em não colocar uma trilha sonora contínua. Tirando os créditos, o filme usa apenas o silêncio, o eco do laboratório e os sons dos raios e trovões. Essa ausência de música de fundo aumenta o peso e a tensão do ambiente de maneira brutal.

Quais curiosidades e premiações envolvem o longa?

Apesar de a academia da época não costumar premiar produções de horror, o filme acumulou reconhecimentos históricos ao longo dos anos. Em 1991, foi selecionado pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos para preservação no National Film Registry devido à sua relevância cultural e estética. 

O lendário bordão de Colin Clive, "It's alive! It's alive!", tornou-se uma das frases mais famosas da história da sétima arte. 

Originalmente, quem interpretaria o monstro seria Bela Lugosi, o astro do filme Dracula do mesmo ano. Lugosi recusou o papel por não ter falas e por ficar irreconhecível sob a maquiagem pesada. Mal sabia ele que a recusa abriria espaço para Karloff transformar aquela criatura em um ícone global imensurável.

Qual é a análise crítica dessa obra-prima de 1931?

Assistir a essa obra hoje é perceber que o verdadeiro monstro da história não é a criatura de Karloff, mas sim o ego e a falta de responsabilidade moral do seu criador. 

Whale constrói um filme direto, sem enrolação e com um ritmo firme. O monstro não nasce mau; ele é assustado, confuso e age por puro instinto ou legítima defesa diante da crueldade humana. A cena no lago com a garotinha Maria exemplifica perfeitamente essa ingenuidade trágica. 

É um filme sobre ambição, consequências e a natureza da rejeição. Curto, denso e esteticamente impecável para o seu tempo, continua sendo um pilar obrigatório para qualquer fã de cinema de verdade.

 

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